Como os implantes dentários podem interferir com a sua saúde

O que são? Para que servem? Podem ser feitos por diabéticos e por fumadores? Existe possibilidade de rejeição? As 13 respostas às dúvidas mais frequentes dadas por uma dentista

Todos ambicionamos um sorriso perfeito, com dentes alinhados, brancos e sem falhas. Mas porque a estética nunca deve ser dissociada da função principal da dentição, a mastigação dos alimentos, a reabilitação protética sobre implantes tem constituído um significativo avanço para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que perderam um ou mais dentes. Permite-lhes readquirir, não só uma boa imagem, como também uma boa função mastigatória, que favorece a absorção de nutrientes.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, uma elevadíssima percentagem de portugueses já perderam uma ou mais peças dentárias, e os dados mais recentes da Ordem dos Médicos Dentistas indicam que mais de 40% dos nossos idosos com mais de 65 anos são desdentados totais. As causas para a perda de dentes podem ser diversas, desde cárie dentária, traumatismos, doença periodontal (dos tecidos circundantes ao dente), doenças sistémicas e também a idade.

Mas o problema vai muito além da simples perda de dentes. «Nas zonas edêntulas (desdentadas) vai existir reabsorção óssea e,  consequentemente, perda de volume facial na zona, conferindo ao rosto um aspeto mais envelhecido», refere Margarida Caeiro, médica dentista. A colocação de implantes é a melhor solução para este problema, mas ainda suscita algumas dúvidas. Margarida Caeiro, especialista em medicina dentária da Clínica Saúde Viável, ajuda-nos a esclarecê-las.

1. O que são os implantes dentários e para que servem?

Os implantes dentários são estruturas metálicas em titânio (material com elevada biocompatibilidade) que se colocam cirurgicamente nas arcadas dentárias e que vão servir de pilar ou suporte para coroas unitárias ou suporte de próteses dentárias com vários dentes, no caso de reabilitações orais extensas. No fundo, o implante assume a função da raiz de um dente. Pode ser usado para substituir um ou mais dentes, sempre que a técnica o permita e de acordo com os critérios para a sua colocação.

2. Em que consiste o tratamento?

Depois de um bom diagnóstico e planeamento, o tratamento decorre em duas fases distintas. A primeira fase é a cirúrgica e a segunda define-se de protética (colocação das coroas). Considera-se como elementos habituais de diagnóstico a radiografia panorâmica e a TAC , para avaliação da altura e largura óssea, bem como para a identificação de estruturas anatómicas relevantes para o ato cirúrgico.

3. Como decorre o tratamento?

A fase cirúrgica consiste na colocação do implante no osso, um procedimento relativamente simples (salvo algumas exceções) e indolor efetuado com anestesia local. A segunda fase, protética, ocorre mais tarde, após a osteointegração que, em média, acontece seis meses depois no maxilar superior e quatro meses depois no caso da mandíbula.

A osteointegração define a conexão direta entre o osso vivo e o implante endo-ósseo e, para ser bem sucedida, o material usado tem de ser biocompatível. O implante deve ficar perfeitamente adaptado no leito ósseo preparado, a cirurgia deve ser realizada de forma a minimizar os danos nos tecidos e a fase de cicatrização deverá decorrer sem distúrbios.

4. As coroas podem ser colocadas no próprio dia da cirurgia (implantes com carga imediata)?

Apesar de existirem alguns médicos a efetuar a técnica de colocação com função imediata, a maioria dos implantes colocados atualmente ficam sem carga durante o período de cicatrização. Claro que ao tratar-se de dentes no sector anterior, onde a estética é um factor preponderante, são executadas próteses removíveis com carácter provisório a fim de restabelecer-se a componente estética de imediato.

Veja na página seguinte: O que sucede quando o paciente tem pouco osso na zona desdentada?

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