Consiga um coração (mais) jovem

Aprenda a manter um dos mais importantes músculos do organismo em forma sem esforço

É o músculo que nunca se cansa, apesar de ser muitas vezes alvo de negligência e menosprezado pelos que descuram as questões de saúde.

Em Portugal, à semelhança de muitas outras regiões do mundo, existe um assassino que não causa o receio natural nas suas potenciais vítimas.

O seu nome é doença cardiovascular e muitas das vítimas em questão são do sexo feminino.

De facto, muitas mulheres descuidam o cuidado com o seu coração, pois acreditam que, ao contrário dos homens, possuem uma proteção natural e não se apercebem que as doenças cardiovasculares, como a angina de peito e o enfarte do miocárdio, são responsáveis por cerca de 40 por cento da mortalidade feminina.

Mais prevenidas contra a ameaça do cancro, nomeadamente o da mama, é com surpresa que recebemos estatísticas que nos revelam que por cada mulher vítima do cancro da mama, há pelo menos nove que morrem devido a doenças cardiovasculares. Para que tome uma atitude desde já, vamos revelar-lhe quais são os principais inimigos do seu coração, quais os sinais de perigo e que estratégias deve adoptar para o manter a palpitar.

Os inimigos do peito do coração

As principais causas das doenças cardiovasculares são uma alimentação pouco saudável, rica em calorias, gorduras saturadas e sal (que leva a um aumento de peso), o sedentarismo e a falta de controlo sobre fatores de risco como a diabetes, o colesterol elevado e o tabagismo. A má notícia é que nas mulheres muitos destes factores têm efeitos ainda mais nocivos do que nos homens.

Se tomarmos por exemplo a diabetes, sabe-se que o aumento de risco no sexo feminino é maior. O peso é outro aspeto determinante. Sabe-se que uma mulher obesa corre um risco 20 vezes superior ao de uma mulher com peso normal de vir a ter diabetes e que, uma vez diagnosticada a patologia, a probabilidade de vir a sofrer de doença cardiovascular aumenta entre 300 e 700 por cento.

Os efeitos nocivos da obesidade não se esgotam por aqui, pois, além de aumentar a pressão arterial e perturbar o equilíbrio de lípidos no corpo, também é responsável por roubar em média seis anos de esperança de vida às mulheres obesas.

Apague o cigarro

Mesmo que, em termos estatísticos, as mulheres tenham tendência a fumar menos do que os homens, a verdade é que os cigarros conseguem ter uma influência ainda mais nefasta na sua saúde do que na dos parceiros masculinos. O risco de desenvolver ateroesclerose, ou seja lesões nas paredes das artérias, é proporcional ao número de cigarros fumado diariamente, mas mesmo quem fuma apenas um cigarro por dia ou ocasionalmente, encontra-se em risco devendo por isso eliminar este vício totalmente.

Segundo dados da American Heart Association, as mulheres fumadoras que tomam a pílula anticoncecional têm um risco acrescido de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) ou um ataque cardíaco comparativamente às não fumadoras que usam o mesmo método contracetivo. Deve também controlar o consumo de álcool que, em excesso, provoca hipertensão, uma patologia altamente nefasta para o aparelho de cardiovascular, ainda mais se tiver problemas de colesterol associados.

Inimigo com duas caras

Um dos inimigos da boa saúde cardiovascular é o colesterol elevado. Embora seja vulgarmente designado por uma mesma e única palavra, este divide-se em dois tipos distintos. O chamado mau colesterol ou LDL (lipoproteínas de baixa intensidade) e o proclamado bom colesterol ou o HDL (lipoproteínas de alta densidade). Enquanto níveis elevados do primeiro provocam ateroesclerose que, por sua vez, contribui para o aparecimento de doenças como angina de peito e enfartes do miocárdio, já níveis elevados do segundo (o bom colesterol) têm uma acção contrária.

Neste aspeto, as mulheres ficam mais uma vez em desvantagem em relação ao homens, pois, segundo a American Heart Association, o colesterol é mais elevado entre o sexo feminino depois dos 45 anos.

Alta tensão

Muito se ouve falar de pressão arterial elevada mas pouco se dedica a explicar os efeitos devastadores que esta condição tem no nosso corpo. Quando se tem pressão arterial alta, o sangue circula dentro das artérias com uma força superior ao desejável, o que agride as paredes das mesmas de uma forma semelhante ao tabagismo, provocando ateroesclerose.

A hipertensão é conhecida como o assassino silencioso e qualquer pessoa a pode ter sem saber, pois na maioria dos casos costuma ser assintomática durante anos. As mulheres que incorrem em maior risco de desenvolver esta doença são as que têm antecedentes familiares, sofrem de obesidade, grávidas, tomam contraceptivos orais ou que se encontram no período da menopausa.

Encontrar o equilíbrio

Outro dos fatores determinantes nas doenças cardiovasculares são os antecedentes familiares. Assim, no caso de existirem casos de AVC ou enfarte do miocárdio em familiares directos, como pais ou irmãos, deverá fazer uma vigilância médica bem mais apertada e uma prevenção mais rigorosa porque incorre num risco acrescido de vir a sofrer destas doenças.

Pode começar por controlar melhor os seus níveis de stress, pois sabe-se hoje que este provoca uma descarga de hormonas que aceleram o ritmo cardíaco e aumentam a pressão arterial.

E aqui as mulheres não são excepção. Num mundo cada vez mais acelerado, elas encontram-se bastante expostas devido aos fortes níveis de ansiedade com que lidam diariamente na sua vida pessoal ou profissional que colocam o seu coração em risco. Por isso, respire fundo e relaxe. O seu coração agradece!

Texto: Paula Nascimento

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