Cancro de pele: tudo o que precisa de saber para evitá-lo

A exposição solar abusiva é responsável por mais de 90% dos casos de cancros cutâneos. É urgente, por isso, mudar os comportamentos, saber proteger-se e estar atento aos sinais de alarme. Um artigo do médico dermatologista Miguel Trincheiras.

KEY BISCAYNE, FL - MAY 10: Lia Calavro (L) and Jamie Sadler sit in the sun while laying on the beach on May 10, 2012 in Key Biscayne, Florida. The Center for Disease Control and Prevention released a report that indicated that although protective behaviors such as sunscreen use, shade use, and wearing long clothing to the ankles have increased in recent years, sunburn prevalence remains high, with 50.1% of all adults and 65.6% of whites aged 18-29 years reporting at least one sunburn in the past 12 months. Joe Raedle/Getty Images/AFP

créditos: AFP

Cada um de nós possui uma determinada capacidade natural de defesa à agressão solar, que se manifesta por exemplo através do bronzeamento ou dos processos de reparação celular.

Consoante esta capacidade de defesa, a pele divide-se em seis fototipos, que variam desde o tipo 1 (cabelos louros ou ruivos, olhos azuis ou esverdeados, pele muito clara e extremamente sensível) ao tipo 6 (cabelos, olhos e pele negros, muito bem adaptados ao sol). Quanto mais reduzido for o fototipo, maior o cuidado e mais elevada deverá ser a proteção solar.

Camada do ozono

Os perigos do sol continuam a aumentar à medida que a camada do ozono vai diminuindo. As radiações nocivas, que afetam a nossa pele, deveriam ser filtradas por esta barreira natural, mas a verdade é que a rarefação da camada do ozono está a deixar passar tudo o que o sol tem essencialmente de mau. A radiação solar é composta pela luz visível, que dá cor à Terra, e por dois tipos de radiação invisível: a infra-vermelha, que aquece o planeta, e a ultra-violeta.

Esta última é a principal responsável pela agressão da pele, e divide-se em três tipos: UVA, UVB e UVC. Com os UVC não precisamos de nos preocupar, porque são absorvidos na totalidade no seu percurso na atmosfera, mas o mesmo não se passa com os outros dois tipos.

Efeitos dos UVA e UVB na pele

As radiações que merecem a nossa atenção distinguem-se pelo comprimento de onda: a radiação mais longa designa-se por UVA(320-400 nm), e a mais curta por UVB (290-320 nm). Ambas são nocivas para a pele porque provocam danos na pele a nível do ADN e da divisão celular, causando erros de replicação das células, que vão acumular defeitos genéticos.

Quando o sol está mais vertical, ele atravessa uma fatia menor da camada do ozono do que faria se a atravessasse em oblíquo, sendo menos filtrado. Assim, o mais prático é observar: quando nos pomos ao sol o tamanho da nossa sombra. Se esta for igual ou inferior ao nosso tamanho, não devemos estar ao sol. Se é superior, significa que o sol já entra de forma mais oblíqua, sendo portanto mais seguro

Os UVA, por serem mais longos, têm uma maior capacidade de penetração na pele atingindo a derme, ao passo que os UVB são totalmente absorvidos pela epiderme. Os UVA provocam danos em estruturas como o colagénio e as fibras elásticas, causando o chamado fotoenvelhecimento, que se traduz em irregularidade de pigmentação, rugas e flacidez cutânea. Por sua vez, os UVB são principalmente responsáveis pelas lesões mais superficiais da pele, provocando alterações cutâneas que podem conduzir, com o passar dos anos, ao aparecimento de tumores malignos.

8 fatores de risco do melanoma

Será importante saber que os cancros cutâneos, por questões de origem e de comportamento clínico, são divididos em dois grandes grupos: os cancros “não-melanoma” e os cancros “melanoma”.

Enquanto os primeiros englobam as duas formas mais frequentes e menos agressivas que são o carcinoma baso-celular (CBC) e o carcinoma spinho-celular (CEC) a última, o melanoma maligno (MM) menos frequente, representa a maioria dos casos de morte associada ao cancro cutâneo.

De facto o CBC tem, regra geral, uma evolução bastante lenta (meses/anos) e não tem capacidade de metastização (de se expandir para outros órgãos à distância). Pode assumir vários aspetos clínicos onde habitualmente são visíveis pequenos vasos dilatados (telangiectasias) e o bordo assume um aspeto de pequenas bolinhas (dito “perolado”).

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