Cancro de pele: tudo o que precisa de saber para evitá-lo

A exposição solar abusiva é responsável por mais de 90% dos casos de cancros cutâneos. É urgente, por isso, mudar os comportamentos, saber proteger-se e estar atento aos sinais de alarme. Um artigo do médico dermatologista Miguel Trincheiras.
créditos: AFP

Cada um de nós possui uma determinada capacidade natural de defesa à agressão solar, que se manifesta por exemplo através do bronzeamento ou dos processos de reparação celular.

Consoante esta capacidade de defesa, a pele divide-se em seis fototipos, que variam desde o tipo 1 (cabelos louros ou ruivos, olhos azuis ou esverdeados, pele muito clara e extremamente sensível) ao tipo 6 (cabelos, olhos e pele negros, muito bem adaptados ao sol). Quanto mais reduzido for o fototipo, maior o cuidado e mais elevada deverá ser a proteção solar.

Camada do ozono

Os perigos do sol continuam a aumentar à medida que a camada do ozono vai diminuindo. As radiações nocivas, que afetam a nossa pele, deveriam ser filtradas por esta barreira natural, mas a verdade é que a rarefação da camada do ozono está a deixar passar tudo o que o sol tem essencialmente de mau. A radiação solar é composta pela luz visível, que dá cor à Terra, e por dois tipos de radiação invisível: a infra-vermelha, que aquece o planeta, e a ultra-violeta.

Esta última é a principal responsável pela agressão da pele, e divide-se em três tipos: UVA, UVB e UVC. Com os UVC não precisamos de nos preocupar, porque são absorvidos na totalidade no seu percurso na atmosfera, mas o mesmo não se passa com os outros dois tipos.

Efeitos dos UVA e UVB na pele

As radiações que merecem a nossa atenção distinguem-se pelo comprimento de onda: a radiação mais longa designa-se por UVA(320-400 nm), e a mais curta por UVB (290-320 nm). Ambas são nocivas para a pele porque provocam danos na pele a nível do ADN e da divisão celular, causando erros de replicação das células, que vão acumular defeitos genéticos.

Quando o sol está mais vertical, ele atravessa uma fatia menor da camada do ozono do que faria se a atravessasse em oblíquo, sendo menos filtrado. Assim, o mais prático é observar: quando nos pomos ao sol o tamanho da nossa sombra. Se esta for igual ou inferior ao nosso tamanho, não devemos estar ao sol. Se é superior, significa que o sol já entra de forma mais oblíqua, sendo portanto mais seguro

Os UVA, por serem mais longos, têm uma maior capacidade de penetração na pele atingindo a derme, ao passo que os UVB são totalmente absorvidos pela epiderme. Os UVA provocam danos em estruturas como o colagénio e as fibras elásticas, causando o chamado fotoenvelhecimento, que se traduz em irregularidade de pigmentação, rugas e flacidez cutânea. Por sua vez, os UVB são principalmente responsáveis pelas lesões mais superficiais da pele, provocando alterações cutâneas que podem conduzir, com o passar dos anos, ao aparecimento de tumores malignos.

8 fatores de risco do melanoma

Será importante saber que os cancros cutâneos, por questões de origem e de comportamento clínico, são divididos em dois grandes grupos: os cancros “não-melanoma” e os cancros “melanoma”.

Enquanto os primeiros englobam as duas formas mais frequentes e menos agressivas que são o carcinoma baso-celular (CBC) e o carcinoma spinho-celular (CEC) a última, o melanoma maligno (MM) menos frequente, representa a maioria dos casos de morte associada ao cancro cutâneo.

De facto o CBC tem, regra geral, uma evolução bastante lenta (meses/anos) e não tem capacidade de metastização (de se expandir para outros órgãos à distância). Pode assumir vários aspetos clínicos onde habitualmente são visíveis pequenos vasos dilatados (telangiectasias) e o bordo assume um aspeto de pequenas bolinhas (dito “perolado”).

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