Soja e cancro da mama

O seu consumo protege ou favorece o aparecimento desta doença?

A relação entre a soja e o cancro da mama tem sido questionada por vários especialistas.

«Está demonstrada a associação entre elevados níveis de estrogénios e maior risco de cancro da mama, mas não existem estudos que demonstrem a associação entre o consumo de soja e o cancro da mama. As isoflavonas de soja ligam-se aos recetores de estrogénio e podem ter efeitos semelhantes, embora muito mais fracos (o estrogénio humano é 1000 vezes mais forte)», esclarece Patrícia Segadães.

«Nas doses normais, obtidas através dos alimentos, não está demonstrada uma relação entre esses consumos e a incidência de cancro», acrescenta o professor na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto Duarte Torres.

Estudos realizados em populações asiáticas associaram o elevado consumo de soja a baixas taxas de cancro da mama e essas mulheres parecem continuar protegidas quando vão viver para países ocidentais, o que sugere que a exposição à soja na infância é relevante. No ocidente, como aponta a nutricionista Patrícia Segadães, «o consumo regular é recente pelo que não é razoável alegar que a soja possa reduzir a incidência de cancro da mama em mulheres ocidentais».

Duarte Torres explica que «o consumo de isoflavonas de soja está inversamente associado ao risco de incidência de cancro da mama apenas em populações asiáticas», mas salvaguarda que, ao contrário de conclusões anteriores, «alguns estudos recentes sugerem que as mulheres com risco aumentado de cancro da mama devido às suas características genéticas podem beneficiar mais do consumo de soja».

Como o papel da soja no risco de cancro é ainda incerto aconselha-se a moderação. «Mulheres com cancro da mama ou com risco de desenvolver esta doença ou outra patologia de base hormonal (como cancro do ovário e do útero) devem ser particularmente cuidadosas com o consumo de soja, devendo discuti-lo com o seu médico», aconselha o National Center for Complementary and Alternative Medicine.


Texto: Leonor Macedo com Patrícia Segadães (nutricionista) e Duarte Torres (professor na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto)

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