Sabe escolher bem o peixe que compra?

As dúvidas continuam a ser muitas. Saiba quais são os aspetos a ter em conta quando o escolhe e como reduzir alguns dos riscos associados ao seu consumo.

«Será que é fresco?», «O de hipermercado é mais barato… mas será tão bom como o que está à venda na peixaria?», «O selvagem é mais saboroso?», «Tendo em conta a ameaça do mercúrio nas águas e o uso de antibióticos na aquicultura, o consumo de peixe ainda é seguro para a saúde?»... São várias as dúvidas que nos surgem e os mitos em que acreditamos no que toca a este alimento.

Para acabar com as incertezas, a Prevenir falou com o nutricionista Miguel Rego e com Nuno Dias, engenheiro químico da DECO, que defendem a importância do peixe como parte de uma alimentação saudável e equilibrada. Veja também a galeria de imagens com as variedades de peixe mais indicadas para o consumo de todos os dias.

Porque devo comer peixe?

A resposta é simples. «O peixe tem um teor proteico elevado e um perfil de gorduras equilibrado, uma vez que possui um maior teor de ácidos gordos polinsaturados. Além disso, é rico em minerais, como o selénio, e vitaminas, como a D. O consumo regular de peixe, dado o seu perfil lipídico, rico em ácidos gordos de cadeia longa ómega-3, está associado a um menor risco de doenças cardio e cerebrovasculares», esclarece Miguel Rego, nutricionista.

Quantas vezes por semana?

Idealmente, um par. «As recomendações alimentares atuais apontam para um consumo semanal de, no mínimo, duas refeições de peixe», refere Miguel Rego. De acordo com Nuno Dias, engenheiro químico da DECO, «é bom alternar o consumo entre espécies gordas, como a cavala, a sardinha e a enguia, e espécies magras (apesar de, regra geral, o peixe ter abaixo de três por cento de gordura), peixe de maiores dimensões e peixe mais pequeno e entre o de aquicultura e o capturado», aconselha o engenheiro químico da DECO.

No que toca a métodos de confecção preferenciais, também existem recomendações a seguir. «A cozedura a vapor, os grelhados e os estufados em cru, sem refogado inicial, como as caldeiradas, são métodos culinários mais adequados devido ao seu menor teor de gordura», adianta Miguel Rego, nutricionista.

O peixe vendido no mercado é o melhor?

Não forçosamente! «Em termos de qualidade, não há um canal típico preferencial para compra. A DECO testou o peixe dos vários locais de compra (praça, peixaria ou grandes superfícies) e os resultados indicam que podemos encontrar peixe de melhor ou pior qualidade em cada um deles», refere Nuno Dias, engenheiro químico deste organismo. Ainda assim «um fator a ter em conta é o facto de nos supermercados e hipermercados o peixe ser tendencialmente mais barato».

Fresco ou congelado?

Segundo Miguel Rego, o peixe congelado pode ser uma boa opção, pois «tem as mesmas características nutricionais, é mais seguro do ponto de vista hígiossanitário e mais económico, podendo, no entanto, existir diferenças no que toca ao sabor, aroma ou textura». «Estas podem ser minoradas se a congelação for correta. Prefira um peixe que se apresente num bloco, sem gelo na embalagem ou manchas castanhas, uma vez que estas indicam uma descongelação e recongelação», aconselha ainda.

Nacional ou importado?

É praticamente indiferente. «No que diz respeito à qualidade, um não se sobrepõe ao outro. Na nossa costa temos predominância de peixe como o carapau, a cavala ou a sardinha, e, à partida, garantem um bom grau de frescura», esclarece Nuno Dias, engenheiro químico da DECO. «No entanto, estamos num mercado cada vez mais global, que nos permite obter pescado proveniente de vários locais, sendo esta prática mais comum com o peixe congelado».

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