Dietas high-tech

Recorrer à tecnologia para perder peso é uma tendência. Conheça os benefícios e os cuidados a ter

Escreva algo que vem do coração, uma coisa em
relação à qual se sinta realmente entusiasmado. E se pensa «não sei se o consigo fazer», provavelmente escreveu um
bom objectivo.

Quem o diz é Jackie Wicks, co-fundadora
do Peertrainer, um programa de coaching de perda de peso via
Internet, num vídeo a que decidiu chamar «Como começar ou recomeçar
uma dieta».

O link de acesso chega-me por email, depois de
ter subscrito o serviço Tip of the Day (dicas diárias que ajudam
a orientar a perda de peso). Caso de sucesso nos Estados
Unidos da América, este site está longe ser a única ferramenta
do género. De programas de acompanhamento e fóruns de
discussão online a aplicações para o telemóvel, a oferta tecnológica
multiplica-se. Descubra as diferentes opções e se pode
ou não confiar nelas.

Controlo automático

No que toca a respostas tecnológicas,
monitorizar é a palavra de ordem.
Diários de alimentos, cálculos das calorias
ingeridas e gastas e indicações de
doses diárias recomendadas são algumas
das utilidades disponibilizadas por
sites como o com" target=_new>WeightWatchers e o fitday.com" target=_new>Fitday, que também fornecem
receitas e dicas sobre alimentação saudável
e exercício.

A ideia é avaliar permanentemente o
sucesso dos hábitos alimentares e de
exercício de cada utilizador.
«O registo permite uma consciencialização
do que se come, para além
da possibilidade de fazer alterações
atempadamente. Usualmente, quem os
utiliza acaba por ter uma alimentação
mais saudável», aplaude a fisiologista de
controlo de peso Teresa Branco. O tratamento
automático dos dados inseridos
e a apresentação dos progressos individuais
em forma de gráfico são mais-valias
face aos registos manuais. Mas as
vantagens não ficam por aqui.

Motivação social

«O acesso a pessoas com os mesmos
interesses através de redes de comunicação
online pode fornecer o apoio social
necessário a uma mudança de comportamento», concluiu o estudo Website Physical Activity Interventions: Preferences
of Potential Users, publicado pela Oxford
University Press em 2006. Vários anos
depois, sites como o Peertrainer procuram tirar partido
desta mais-valia.

Os utilizadores registados (e pagadores)
são convidados a aderir ou criar
grupos de amizade com um máximo de
quatro pessoas que acedem à informação
sobre os objectivos, refeições e treinos
uns dos outros. O acompanhamento
mútuo faz-se através de comentários
e posts em que se partilham conquistas,
frustrações, estratégias e ansiedades.

A consequência são altos níveis de
motivação. «Os testemunhos são extremamente
inspiradores para as pessoas.
Quando alguém consegue fazer algo,
percebemos que é possível». Por outro
lado, «estratégias utilizadas por algumas
pessoas podem ser muito úteis a outras»,
considera Teresa Branco.

Personalização versus anonimato

O envio de recomendações de especialistas por email é uma solução comum
deste tipo de sites. Segundo o estudo
citado, esta é uma das características
mais valorizadas por quem recorre
à sua ajuda para realizar actividade física.


A tentativa de adaptar os conteúdos
às características individuais dos utilizadores
explica, em parte, a necessidade
de registo e a indicação de dados pessoais
como a idade, peso, hábitos de vida,
área de residência, entre outros.
Ainda assim, na opinião de Teresa
Branco, estas respostas não devem substituir
os programas desenvolvidos por
especialistas.

«Devem ser adequadas ao
perfil de cada um, depois de uma consulta
de diagnóstico que permita desvendar
as causas do ganho de peso e
estruturar as estratégias adequadas a
cada caso», sublinha. Por outro lado,
«o contacto pessoal que permita desenvolver
comportamentos empáticos é a
melhor estratégia para ajudar alguém a
perder peso», considera, ainda que «para
algumas pessoas o anonimato possa ser
uma vantagem», refere.


Veja na página seguinte: Perder peso com a Wii

Movimento competitivo

As possibilidades tecnológicas não se
ficam pela Internet. A consola Wii, da
Nintendo, é um bom exemplo disso.


A sensibilidade ao movimento permite que jogos como o Wii Fit revolucionem
o conceito de exercício em casa,
há muito existente, mas conotado como
difícil e exigente. «Este tipo de aparelhos
promove um estímulo acrescido
pelo sentido de jogo competitivo»,
constata Teresa Branco.

Os telemóveis não são excepção a
esta tendência. Se tem um iPhone ou
um iTouch, aplicações como o Lose It
ou o Walk n' Play prometem ajudá-la
a perder peso de forma fácil.

Fácil, gratuita
e acessível em qualquer parte. Ambas
permitem acompanhar a evolução face
a objectivos individuais. A grande diferença
está na forma de cálculo calórico. Enquanto a primeira recorre a uma
base de dados de refeições para estimar
as calorias ingeridas e gastas, a segunda
usa um processo de calibração biométrica
através do acelerómetro do
iPod, que permite sentir os movimentos
e medir a actividade metabólica de
cada pessoa.

Os utilizadores competem
entre si através de perfis regionais ou
de níveis de aperfeiçoamento e podem
escolher companheiros de exercício, sejam amigos da vida real ou avatares
representativos de uma população. Nem toda a informação
da Internet é, contudo,
inteiramente
verdadeira. Antes de
aderir a um programa
de perda de peso,
certifique-se de que
a fonte é credível.

Texto: Rita Miguel com Teresa Branco (fisiologista do controlo do peso)

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