Cogumelo shiitake tem propriedades medicinais

Originário do nordeste asiático, tem vindo a ganhar alguma fama no ocidente pelo seu interesse gastronómico e terapêutico. Saiba a que é que faz bem
créditos: Jardins

Cultivada há mais de mil anos na China, esta espécie de cogumelo comestível é, atualmente, uma das mais produzidas em todo o mundo. Descubra os mistérios que esconde este apreciado alimento. No seu habitat natural, os fungos tendem a desenvolver estratégias de luta biológica para poderem competir entre os múltiplos microrganismos que coabitam o seu meio. Uma das estratégias é a produção de determinados compostos químicos que os fungos podem libertar para o meio onde vivem.

Entre eles incluem-se, entre outras, substâncias antibióticas que se destinam a reduzir as bactérias competidoras que os possam prejudicar na luta pelas suas fontes de energia, para se alimentarem. Ao longo da história, a humanidade foi capaz de aproveitar alguns destes componentes para seu próprio benefício, como o caso emblemático da descoberta da penicilina, a partir do fungo Penicillium notatum que revolucionou a história da medicina no início da II Guerra Mundial.

Hoje em dia, existe um grande interesse por cogumelos com efeitos medicinais, como é o caso do Lentinula edodes, designado de xiangu na China, de onde é originário. O seu nome significa cogumelo aromático. Xian significa aroma e gu equivale a cogumelo, mais conhecido pelos portugueses por shiitake, nome comum em japonês. O cultivo de shiitake em toros de madeira é o mais antigo de entre todos os cogumelos comestíveis.

Teve origem na China há cerca de mil anos, quando se passou a dominar a técnica de produção de cogumelos em ambiente natural. O Japão especializou-se em selecionar variedades de elevada qualidade, onde também se produz em larga escala. Hoje, a China continua a ser um dos maiores produtores, consumidores e exportadores mundiais de shiitake.

Originário da zona temperada do nordeste asiático, este alimento, já presente em muitas receitas confecionadas em território nacional, continua a ser uma das espécies mais produzidas em todo o mundo. Com o passar do tempo, tem vindo a ganhar alguma fama no ocidente, pelo seu interesse gastronómico e medicinal.

Propriedades medicinais reconhecidas

Este cogumelo, além de ser um excelente comestível, ao longo dos anos tem sido estudado pelas suas propriedades terapêuticas, uma vez que dele se extrai alguns compostos com efeito imunopotenciador, como é o caso do lentinan, um polissacárido que parece favorecer a resposta imunitária do nosso organismo. Ensaios clínicos têm vindo a ser realizados especialmente em países asiáticos.

Com a utilização do lentinan em conjunto com tratamentos de quimioterapia, os resultados apontam para o aumento da esperança de vida, melhoria do sistema imunitário e melhoria da qualidade de vida de pacientes em tratamento de alguns tipos de cancro. Embora seja uma área ainda pouco estudada, a ciência também se tem interessado pelos possíveis efeitos benéficos de extractos aquosos deste cogumelo no combate a doenças causadas por fungos e vírus, que provocam grandes danos no setor agrícola, com vista a isolar as substâncias activas que possam ter benefícios na luta contra estes agentes.

Em suma, vários estudos têm demonstrado a actividade antibacteriana, anti-fúngica e também inibitória de crescimento de microrganismos, através de vários compostos isolados a partir deste cogumelo, revelando o seu elevado interesse farmacológico.

Texto: Marta Ferreira

artigo do parceiro:

Comentários