As hormonas que regulam o peso

Saiba quais são e o que pode fazer para as dominar e controlar

Existem nove hormonas que nos estimulam a procurar comida e 14 que nos dizem para parar de comer.

Apesar de este rácio jogar a favor da elegância, podem ocorrer distúrbios que a afetam.

Felizmente existem estratégias para reverter a situação, apontadas por Teresa Branco.

Esta fisiologista na gestão do peso já acompanhou figuras públicas como a apresentadora de televisão Catarina Furtado (ajudou-a a recuperar a forma depois da primeira gravidez) e os concorrentes de «Peso pesado», a versão portuguesa do programa de televisão «O peso certo».

A hormona da fome

Chama-se grelina e é produzida principalmente pelo estomago. Estimula o apetite enviando impulsos quimicos ao cerebro que o corpo nao consegue ignorar. Como explica Teresa Branco, fisiologista na gestão do peso, «à medida que o estômago vai ficando vazio, a sua concentração no sangue aumenta, atingindo o máximo após a total metabolização da última refeição». É por isso que as dietas que nos fazem passar fome não resultam.

4 passos para dominar a hormona da fome

Estas são as recomendações de Teresa Branco:

- Opte por alimentos mais proteicos e gordos (por exemplo, queijo flamengo), que diminuem a produção de grelina e favorecem uma maior saciedade.

- Controle o stresse. Quanto maior for a ansiedade, maior parece ser a produção de grelina. A prática de exercício físico é uma das melhores estratégias.

- Não passe mais de três horas sem comer. Quanto maior é o intervalo entre asrefeições, maior é a produção de grelina.

- Prepare lanches saudáveis de emergência para quando surgir uma fome incontrolável, nomeadamente um punhado de nozes, pedaços de fruta ou tiras de cenoura.

A hormona da saciedade

Conhecida como a hormona da saciedade, a leptina é produzida pela gordura armazenada no nosso corpo. «Em caso de obesidade, o cérebro torna-se resistente a esta hormona, não recebendo sinais de saciedade. Ao perder peso, as células tornam-se mais sensíveis a esta hormona, reagindo melhor aos seus sinais», explica Teresa Branco.

Quer sentir-se mais saciada?

Estas são as estratégias que deve adotar:

- Evite passar muitas horas sem comer. A concentração de leptina tende a diminuir quando há um jejum prolongado.

- Modere a intensidade do exercício físico. Quanto mais intenso for o treino, menor será a concentração de leptina.

- Aposte numa alimentação variada rica em proteína, gordura e hidratos de carbono. Estes nutrientes favorecem o aumento da produção de leptina.

A hormona da energia

A insulina é produzida pelo pancreas e regula os niveis de glicose (acucar) no sangue, a principal fonte de energia do organismo. «A sua produção oscila de acordo com o nível de açúcar no sangue, que é mais elevado quando se come e diminui à medida que os alimentos são processados», refere Teresa Branco.

«No entanto, quando a dieta é muito rica em hidratos de carbono o aumento da glicose pode gerar uma produção excessiva de insulina. Esta situação provoca o aumento de peso e pode levar o organismo a desenvolver uma resistência à insulina e, por consequência, diabetes tipo 2», acrescenta a especialista.

Insulina sob controlo

A especialista aconselha os seguintes gestos para proteger a sua saúde:

- Faça exercício físico. Promove uma diminuição da resistência à insulina, levando à diminuição da glicose e da insulina no sangue.

- Controle os hidratos de carbono. Reduzir a sua ingestão faz diminuir a concentração de glicose e de insulina no sangue.

A hormona do metabolismo

Produzida na tiroide, a tiroxina interfere na regulacao de funções vitais como a temperatura corporal, o transito intestinal, o peso, a performance muscular, as variações de humor e a regulação da frequencia cardíaca e da pressão arterial.

Sinais de alarme

O hipotiroidismo e o hipertiroidismo são consequência da falta ou excesso de hormonas tiroideias (das quais faz parte a tiroxina), respetivamente. «No primeiro caso, surgem sintomas como aumento de peso, fadiga, sonolência, tendência depressiva, frequência cardíaca mais lenta, pele seca e sensação de frio», refere João Jácome de Castro, endocrinologista.

«No segundo pode-se sentir tremores, instabilidade emocional, aumento de apetite, perda de peso e aumento da frequência intestinal», acrescenta o especialista. A boa notícia é que é «muito fácil de tratar, basta estar atenta a estes sinais» e procurar ajuda médica, refere ainda João Jácome de Castro.

O que pode fazer

Os conselhos do especialista:

- «Deixar de fumar e controlar os níveis de stresse pode contribuir para a prevenção de doenças da tiroide», indica João Jácome de Castro.

- Consumir alimentos ricos em iodo, como algas ou sal iodado, ou ingeri-lo em suplementos alimentares. «O iodo funciona para a tiroide como a gasolina para os automóveis. A tiroxina, aliás, é produzida a partir de iodo. Quando os seus valores estão em baixo, a tiroide começa a funcionar mal e surge o hipotiriodismo. Quando estão em excesso, podem provocar um surto de hipertiroidismo», explica.

Texto: Nelma Viana, Rita Miguel e Vanda Oliveira com João Jácome de Castro (médico endocrinologista e secretrário-geral da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia), Luís Romariz (médico especialista em medicina antiaging), Ricardo Gusmão (psiquiatra), Mário Sousa (médico ginecologista), Teresa Branco (fisiologista na gestão do peso) e Teresa Paiva (neurologista)

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