Testes rápidos do VIH não detetam infeções recentes, alertam analistas clínicos

Testes rápidos não detetam infeções recentes por VIH-1 e VIH-2
27 de março de 2013 - 09h52



A Associação de Analistas Clínicos avisou hoje que os testes rápidos de diagnóstico do VIH não estão preparados para detetar infeções recentes, depois da divulgação de que os centros de saúde começam este ano a realizar estes exames.



“Não pensamos mal dos testes de diagnóstico rápido. Desde que tenham boa qualidade são bem-vindos ao mercado. Mas têm algumas contraindicações. Uma delas é que não detetam as infeções recentes”, referiu à agência Lusa Elisabeth Barreto, vice-presidente da Associação Portuguesa de Analistas Clínicos (APAC).



Segundo a responsável, enquanto os testes feitos em laboratório detetam as infeções recentes por VIH-1 e VIH-2, os de deteção rápida não estão validados para o fazer.



“Além disso, se derem resultado positivo, não dão garantias totais na deteção do HIV-2. Nós somos um país com uma grande percentagem de infetados apenas por HIV-2. Para já não há ainda nenhum teste rápido que dê garantias na deteção de HIV-2”, declarou.



A APAC garante que os testes em laboratório conseguem dar, numa hora, um resultado correto de VIH-1 e VIH-2. Já os testes rápidos darão resultados em cerca de cinco minutos.



Mesmo nos casos em que os testes rápidos indiquem um resultado positivo para a infeção por VIH será sempre necessário, segundo a associação, fazer uma contra prova nos laboratórios de análises clínicas.



Para os analistas clínicos, pode estar aqui em causa também uma duplicação de custos, uma vez que, em caso positivo, o utente tem de fazer novo exame laboratorial pago pelo Serviço Nacional de Saúde.



Também no caso de resultados negativos pode haver necessidade de repetição do teste, uma vez que pode ficar instalada a dúvida no utente: “Se o teste der negativo, ficará sempre na dúvida. Se achar que pode estar infetado há muito pouco tempo terá sempre de repetir o teste”.



Elisabeth Barreto assumiu à Lusa não compreender quais as vantagens para os utentes com a opção por estes testes rápidos de diagnóstico, lembrando que o Serviço Nacional de Saúde comparticipa praticamente na totalidade a realização de um teste de VIH num laboratório, desde que prescrito pelo médico de família.



Na semana passada, o coordenador do programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infeção VIH/Sida, António Diniz, anunciou à Lusa que os testes rápidos de diagnóstico da infeção por VIH vão passar a ser feitos nos centros de saúde a partir do segundo semestre deste ano, indicando estarem já disponíveis verbas para a compra de 40 mil testes.



O responsável assumiu que esta é uma das prioridades do programa, uma vez que a taxa de diagnósticos tardios ao VIH/Sida em Portugal é de 65%, o dobro da registada na Europa. No último ano, realizaram-se menos quatro mil testes de diagnóstico precoce, número que preocupa António Diniz.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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