Poucos doentes internados e com diarreia são analisados à presença de bactéria perigosa

Em Portugal só um dos onze hospitais do estudo usa o método de diagnóstico mais adequado
7 de maio de 2013 - 14h44



Apenas um décimo dos doentes hospitalizados que apresentam diarreia é submetido a uma análise à bactéria “clostridium difficile”, responsável por infeções hospitalares, segundo o maior estudo da UE sobre a prevalência desta infeção, no qual participa Portugal.



A bactéria “clostridium difficile” pode ser encontrada no intestino de pessoas saudáveis sem causar a infeção, mas na maioria dos casos surge em doentes com flora intestinal desequilibrada, que se encontram a tomar antibióticos de ação alargada, sendo mais frequente em meio hospitalar.



O estudo, cujos primeiros resultados foram recentemente apresentados no 23º Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ECCMID), envolveu 482 hospitais de 20 países europeus, dos quais 11 hospitais portugueses, que contribuíram com 3.920 amostras fecais.



Os resultados, a que a agência Lusa teve acesso, indicam que apenas 10,6 por cento dos hospitais testaram todas as amostras de diarreia fecal dos doentes internados e que somente 27,4 por cento usaram um algoritmo de CDI (o diagnóstico mais indicado) otimizado para testes de rotina.



A investigadora do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) Mónica Oleastro, coordenadora do estudo em Portugal, defende uma “harmonização de critérios”, já quem nem todas as instituições analisam da mesma forma a presença da bactéria.



De acordo com os resultados, 52 por cento dos hospitais europeus participantes no estudo testam a infeção, mas a pedido do médico e após suspeita clínica.



Apenas 11 por cento dos hospitais realizam o teste a todos os doentes internados que apresentem diarreia após serem hospitalizados.



Mónica Oleastro indicou ainda outra razão que pode levar a um subdiagnóstico da infeção: o tipo de testes utilizados.



Só cerca de 30 por centro dos laboratórios dos hospitais é que usam um método de diagnóstico otimizado (o mais indicado), quando a situação ideal é a realização de dois testes, o segundo dos quais para confirmar a infeção.



Um hospital em 11



Em Portugal, adiantou, só um dos onze hospitais que participaram no estudo é que usa este método mais adequado.



Esta situação poderá justificar o facto de uma em cada quatro (24,6 por cento) das amostras consideradas positivas para a bactéria, mediante análise no laboratório nacional, não terem assim sido classificadas no hospital.



A taxa de incidência desta infeção é de 6,6 por 10 mil internamentos, sendo que em Portugal o apurado é de 2,9, um valor que Mónica Oleastro justifica com o número de testes realizados.



“Um maior número de testes realizados conduziria certamente a mais amostras positivas”, disse, revelando que Portugal tem “um índice de testes reduzido”, disse.



A bactéria “clostridium difficile” foi responsável por um surto contagioso que, em 2009, infetou várias dezenas de doentes no Hospital de Faro, causando a morte a nove pessoas.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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