Portugal analisa os efeitos da dieta na recidiva do cancro da cabeça e do pescoço

Projeto de investigação com 60 participantes arranca em maio. O processo de recrutamento é feito nos hospitais envolvidos. Programa decorrerá até meados de 2017…

Afeta sete vezes mais homens do que mulheres e os doentes pertencem, na maioria, a um estrato social baixo. O tabagismo e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas são fatores de risco estabelecidos. Ana Castro é a coordenadora nacional do DietINT , um projeto de investigação do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e Pescoço (GE CCP) que terá início em maio de 2015 e que foi financiado com mais de um milhão de euros pela TRANSCAN – Rede Europeia de Pesquisa em Oncologia. Além de Portugal, participam outros países nomeadamente Itália, Polónia, Alemanha, Eslovénia e Áustria. O objetivo é avaliar o papel de uma dieta específica no adiamento da recidiva de cancro de cabeça e pescoço.

Que tipo de dieta será testado?

A dieta testada caracteriza-se pela restrição das proteínas animais e pela sua substituição por cereais como o milho, o trigo e outros de que se pode fazer farinha. Há estudos com doentes de cancro da mama que sugerem que pode levar a uma redução do risco de recidiva.

Porquê o cancro da cabeça e pescoço?

Nestes doentes, as recidivas ocorrem nos primeiros dois anos, quando há fatores de risco e o prognóstico é mais reservado. Na mama, seria mais difícil ver resultados e teríamos de esperar muito mais tempo.

Em que consistirão os ensaios clínicos?

Os participantes, 60 por país, serão divididos em dois grupos. Um fará a alimentação convencional, com as indicações que já eram dadas. O grupo experimental receberá um kit de alimentos e o nutricionista irá ensinar-lhe receitas. Ambos terão de eliminar os hábitos de risco. Por isso, está incluída uma verba para consultas de cessação tabágica.

Como será feito o recrutamento?

Em consulta, nos hospitais associados. Os doentes que preencherem os critérios de inclusão serão convidados. O ensaio dura dois anos.

Veja na página seguinte: As explicações que ajudam a compreender melhor a doença e a recidiva

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