ONG critica campanha timorense de combate à SIDA que retira uso do preservativo

A organização não-governamental timorense Estrela +, de seropositivos, apelou à Comissão Nacional de Combate ao HIV-SIDA (CNCS) em Timor-Leste para que recolha e corrija cartazes publicitários que retiram a recomendação do uso de preservativos.
créditos: EPA/LYNN BO BO

A queixa foi feita na página do facebook da Estrela+, uma ONG de seropositivos que explica trabalhar para "garantir que os direitos das pessoas com HIV em Timor-Leste são reconhecidos, respeitados e promovidos", desenvolvendo ações de informação e educação.

"Estamos muito desapontados por ver os novos cartazes que apareceram recentemente em supermercados em Díli (…) criados pela Comissão Nacional de Combate ao HIV-SIDA", referiu.

A organização recordou que até aqui as mensagens de prevenção distribuídas respeitavam a estratégia nacional de combate à doença 2011-2016, apostando em três mensagens centrais: A para abstinência, B para fidelidade e C para o uso de preservativo.

Sem menção ao preservativo

O novo cartaz, porém, altera o C para a mensagem "controla-te", retirando qualquer referência ao uso do preservativo.

"Isso implica que pessoas seropositivas estão infetadas porque não foram fieis ou não se conseguiram controlar de ter relações sexuais arbitrárias. Isto é falso e promove estigma e discriminação contra pessoas que vivem com HIV. Mais estigma à volta da doença significa que menos pessoas se testam e têm acesso a tratamento, o que enfraquece a resposta à doença", referiu a ONG.

"Ao não dar informação sobre o uso de preservativos, estes cartazes significam que as pessoas perdem uma oportunidade de receber informação adequada sobre uma das formas mais eficazes de se protegerem do HIV", sublinhou.

Inês Lopes, da Estrela+, explicou à Lusa que a mudança de informação "deixa a população confusa" e ignora "práticas, recomendações e estratégias globais" de combate à doença.

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