Nem metade dos 3.000 enfermeiros de reabilitação excerce a especialidade

Doentes acompanhados são decorrentes de doenças neurológicas, crónicas, AVC e traumatismos
6 de dezembro de 2013 - 14h07



A presidente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação (APER), Isabel Ribeiro, disse hoje à Lusa que existem cerca de três mil profissionais com esta especialidade em Portugal, mas “nem metade estão a exercer as suas competências”.



“Temos chamado a atenção dos nossos dirigentes para esta realidade, para que rentabilizem os recursos que têm à sua disposição”, acrescentou Isabel Ribeiro, que falava à Lusa no âmbito do Congresso Internacional de Enfermagem de Reabilitação, a decorrer em Gaia



Segundo a dirigente da APER, "embora praticamente todos os profissionais estejam a trabalhar, a verdade é que são poucos os que exercem a especialidade".



A entrada para a especialidade implica tempo de exercício profissional, portanto “todas as pessoas que têm a especialidade já estão empregadas, podem é não estar a desenvolver as competências que adquiriram com a sua formação”, frisou.



“Nem sempre são criadas as condições para que isso aconteça. Como os profissionais que vão tirar a especialidade já trabalham como enfermeiros generalistas, quando terminam a especialidade continuam a exercer as funções anteriores. Era necessário que os dirigentes das instituições os canalizassem para os serviços da especialidade, mas nem sempre isso acontece”, acrescentou.



Isabel Ribeiro mantém, por isso, alguma expectativa em relação à abertura do Centro de Reabilitação do Norte, cuja gestão foi entregue à Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP).



“Já há muito tempo que lutamos para que no Norte haja um centro deste tipo e, por isso, apelamos ao provedor da SCMP para que integre profissionais com formação específica na área da reabilitação”, disse a dirigente da associação do setor, que admitiu não dispor ainda de informação suficiente sobre o modelo de funcionamento do novo centro, nomeadamente sobre as valências disponibilizadas.



A Santa Casa da Misericórdia do Porto vai assumir por três anos a gestão do Centro de Reabilitação do Norte, estando prevista a transferência, aprovada em Conselho de Ministros, de 27,6 milhões de euros para o efeito.



Pronto desde julho de 2012, mas ainda de portas fechadas, o CRN deverá entrar em funcionamento depois de a ARS Norte fazer a entrega do edifício prevendo o provedor António Tavares que tal possa acontecer já este mês com “algumas consultas para doentes”, ainda que só fique a funcionar “em pleno” em 2014.



O Congresso Internacional de Enfermagem de Reabilitação, que decorre até sábado, pretende valorizar o trabalho do enfermeiro de reabilitação enquanto “a pessoa que está mais apta a integrar todas as vertentes dos cuidados necessários às pessoas com incapacidades no desempenho do autocuidado”.



Além dos seniores, muitos dos doentes acompanhados pela enfermagem de reabilitação são decorrentes de doenças neurológicas, doenças crónicas, AVC e traumatismos devido a acidentes.



“A nossa principal preocupação enquanto enfermeiros de reabilitação é ajudar o doente para que este consiga de forma independente desempenhar as suas tarefas diárias. É preparar as pessoas para utilizar o seu potencial com objetivo de ter uma vida o mais normal possível, através de conselhos que permitam aos doentes contornar as suas limitações e atingir a independência”, explicou Isabel Ribeiro.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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