Medicamentos sem receita médica são mais procurados fora das farmácias

A venda destes fármacos nas parafarmácias representa 12 a 15 por cento do mercado

5 de junho de 2013 - 15h35

Os Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) vendidos fora das farmácias durante o primeiro trimestre do ano custaram mais 81 mil euros do que no mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais.

Dados do Infarmed indicam que, entre janeiro e março deste ano, os fármacos vendidos nos locais de venda de MNSRM registaram um aumento de 1,2 por cento, com mais 21 mil embalagens vendidas, face a 2012.

No mesmo período, e segundo o mesmo organismo, estas vendas foram efetuadas por mais 81 mil euros, o que representa um aumento de um por cento.

Nas farmácias, o volume de vendas aumentou 0,4 por cento, com mais 235 mil embalagens vendidas, acompanhado de uma diminuição de 7,2 por cento do seu valor (menos 50 milhões de euros).

Temas como o acesso aos MNSRM estarão em análise entre hoje e sexta-feira na 49ª Reunião Anual da Associação Europeia de Medicamentos de Venda Livre, que reúne centenas de especialistas nacionais e internacionais, em Lisboa.

Mafalda Araújo, vice-presidente da Comissão Especializada de Medicamentos de Venda Livre da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), disse à agência Lusa que este mercado “tem estado fundamentalmente estável nos últimos anos”.

A venda destes fármacos nas parafarmácias representa 12 a 15 por cento do mercado, segundo Mafalda Araújo.

A dirigente da Apifarma ressalva que estes medicamentos são utilizados para tratamento de patologias não graves e durante um período curto.

Sobre a intenção do governo de criar uma “terceira lista” de MNSRM de venda exclusiva nas farmácias, Mafalda Araújo disse ter conhecimento de “uma intenção de discussão” sobre o tema, mas escusou-se a adiantar a posição da Apifarma sobre o assunto.

“A Apifarma não se manifesta nem interfere sobre canais de distribuição”, disse.

Para a indústria, adiantou, a discussão deve passar por “disponibilizar mais categorias de medicamentos, numa distribuição mais alinhada com a realidade europeia”.

Questionada sobre a hipótese de alguns MNSRM campeões de venda passarem a fazer parte dessa “terceira lista”, Mafalda Araújo limitou-se a dizer que dos mesmos já “existe um tal histórico de utilização que seria difícil justificar uma medida deste tipo”.

O diploma que possibilita a venda de MNSRM fora das farmácias foi publicado no Diário da República de 16 de agosto de 2005.

Lusa

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