Investigadora portuguesa premiada por criar pastilha contra inflamação na boca

A criação de uma pastilha dissolúvel na boca, contra a dor em doentes com mucosite oral, valeu hoje à investigadora Filipa Cosme Silva o Prémio Grünenthal/ASTOR 2015, no valor de 2.500 euros, anunciou a organização.

Segundo a investigadora, a pastilha, que contém um anestésico e um antifúngico, pretende dar "a maior comodidade possível" ao doente, com várias aftas na boca e dor associada durante muito tempo.

Filipa Cosme Silva esclareceu à Lusa que a pastilha propõe-se ser um substituto da solução líquida que atualmente se administra nos hospitais aos pacientes, que se veem em dificuldades para bocejar devido à dor.

A mucosite oral é uma inflamação na boca, caracterizada por várias aftas e dor prolongada, que surge em doentes com cancro, devido a tratamentos de radioterapia e quimioterapia, e em doentes do aparelho digestivo.

A pastilha desenvolvida pela investigadora, no âmbito da sua tese de mestrado, em fase de conclusão, na Faculdade de Farmácia de Lisboa, tem na sua composição o anestésico lidocaína e o antifúngico nistanina, além de água, gelatina, glicerina e goma-arábica.

"Dissolve-se mais lenta ou rapidamente, se o doente assim o entender", assinalou Filipa Cosme Silva, acrescentando que o paciente "pode deslocar a pastilha para onde tem mais dor".

Doentes oncológicos

No caso de doentes que perderam a capacidade de produzir saliva, como é os que se submeteram a quimioterapia ou radioterapia para tratar cancros na cabeça ou no pescoço, a pastilha estimula a salivação, assegurou a investigadora, que trabalha nos serviços farmacêuticos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Filipa Cosme Silva adiantou que qualquer doença que provoque disfagia (dificuldade de deglutição) "pode beneficiar da pastilha".

As potencialidades do medicamento, que foi administrado a pessoas "mais ou menos saudáveis", apenas com "uma ou duas aftas", mas que se sentiram melhor, terão de ser ainda testadas em doentes, ressalvou.

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