Enfermeiros de saúde mental dizem que faltam profissionais nos Açores

O presidente da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (ASPESM) disse esta quarta-feira que faltam nos Açores "enfermeiros especializados" e respostas "na comunidade" em alternativa ao internamento na área da saúde mental.
créditos: MIGUEL A. LOPES/LUSA

"O número de enfermeiros especialistas em saúde mental que existem na prática clínica são muito diminutos, são dois ou três e são completamente insuficientes", disse Carlos Sequeira, no dia em que arrancou o 6.º Congresso Internacional da ASPESM, no hospital de Ponta Delgada, nos Açores.

Carlos Sequeira alertou para a importância de, no caso da ilha de São Miguel, se colocarem os enfermeiros do hospital de Ponta Delgada que estão a "tirar especialidade em saúde mental" a trabalhar na área de formação e não noutras especialidades.

O presidente da ASPESM ressalvou que os problemas da região se estendem a nível nacional e defendeu "uma viragem em saúde mental" com mais respostas na comunidade e contrariando o que está previsto no Plano Nacional de Saúde Mental, "que visa que os doentes devem ser institucionalizados".

Deve apostar-se em mais formação para profissionais

Para Carlos Sequeira, a aposta na saúde mental deverá passar também por uma "intervenção precoce", com uma aposta na literacia não só de médicos e enfermeiros, mas de toda a sociedade em geral.

"Se houver alguém que tenha uma dor cardíaca vão dizer-lhe logo para ir ao médico porque pode ser grave, se a pessoa andar mais triste, a não querer sair com os amigos, a ficar mais em casa, a primeira resposta é sempre negativa, para a pessoa sair e não se isolar. Há um desconhecimento e a primeira resposta que é dada pelo grupo de pares não é uma resposta adequada", disse.

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