Doenças cardiovasculares já matam menos homens do que o cancro

Nas mulheres, as doenças cardiovasculares mantêm-se como principal causa de morte
11 de junho de 2013 - 12h10



Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que as doenças cardiovasculares já matam menos homens do que o cancro, embora continuem a ser responsáveis por um terço dos óbitos em Portugal.



“A taxa de mortalidade associada a doenças cardiovasculares, ajustada para a idade, diminuiu para cerca de metade nos últimos 30 anos, observando-se menos de 200 mortes por 10 mil habitantes, tanto em homens como em mulheres, em 2010”, revela a investigação a que a Lusa teve hoje acesso.



Este trabalho, desenvolvido por Marta Pereira, no âmbito do seu projeto de doutoramento, procurou avaliar como variou a mortalidade por doenças cardiovasculares em Portugal.



Os resultados demonstraram que, a partir do ano 2000, o número total de mortes devido às doenças cardiovasculares diminuiu, tanto nos homens como nas mulheres, maioritariamente à custa da melhoria dos tratamentos.



Desde 2008 que a taxa de mortalidade por cancro supera a taxa de mortalidade das doenças cardiovasculares nos homens. Já nas mulheres, as doenças cardiovasculares mantêm-se como principal causa de morte.



A análise dos fatores de risco revelou que “a prevalência da hipertensão arterial diminuiu consideravelmente, sobretudo à custa de alterações nos padrões alimentares (possivelmente devido à redução do consumo de sal)”.



“Os níveis de colesterol também desceram, mas mais por força do uso de estatinas – um fármaco usado para reduzir o nível de lípidos no sangue. No entanto, outros fatores de risco, como a diabetes e a obesidade, aumentaram significativamente”, concluíram os investigadores.



Em termos de tratamento, o estudo permitiu verificar que “a grande maioria dos doentes têm prescrição dos principais fármacos utilizados para prevenção secundária após um episódio de síndrome coronário agudo”, refere Marta Pereira.



Mas, salienta a investigadora, “apenas uma minoria sai do hospital com o tratamento ótimo, que inclui a toma de cinco medicamentos”.



“Foi claro no nosso trabalho que os mais idosos têm menos prescrição de medicamentos, estando a ser privados de usufruir do tratamento otimizado aconselhado pelas recomendações nacionais e internacionais, mesmo tendo em consideração as principais contraindicações. No nosso estudo verificámos que só um terço dos idosos com idade acima dos 80 anos tinha prescrição para os cinco fármacos”, frisou.



No total, em 2008, registaram-se menos 2.135 mortes por doença coronária nos homens e menos 1.625 nas mulheres do que as que seriam esperadas se as taxas registadas em 1995 se mantivessem inalteradas.



Metade desse resultado deveu-se às melhorias no tratamento farmacológico dos doentes e cerca de 42% relacionou-se com as variações dos fatores de risco.



Este trabalho integra um projeto mais abrangente, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e liderado pela investigadora do Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da FMUP, Ana Azevedo.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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