Cientistas estudam gene ligado ao Parkinson e abrem portas a novas terapêuticas

Em todo o mundo existem 12 milhões de pessoas com a doença
3 de abril de 2014 - 09h22



Um grupo de cientistas liderado por um investigador português estudou um gene associado à doença de Parkinson e a forma como atua, abrindo portas ao desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas contra esta doença, mas também contra o cancro.



O trabalho de investigação, desenvolvido por um grupo do Instituto de Medicina Molecular (IMM) liderado por Tiago Outeiro, e investigadores na Alemanha e no Reino Unido, vem mostrar que a doença de Parkinson pode ter uma causa genética - até recentemente os indícios apontavam para causas ambientais – trazendo nova esperança para o seu tratamento.



“Procurámos estudar um dos genes associados a doença de Parkinson, o gene que codifica a proteína DJ-1. Este gene está associado também ao cancro, porque a função da proteína pensa-se que está relacionada com a defesa contra stress oxidativo”, disse à Lusa Tiago Outeiro.



Ou seja, uma vez identificada a função do gene defeituoso, deverá ser mais fácil identificar “onde é que as coisas correram mal”, sendo DJ-1 um exemplo particularmente interessante, porque é um gene que causa várias formas de Parkinson, mas também está ligado ao cancro, ao Alzheimer e a outras doenças neurodegenerativas, o que sugere que desempenha um papel importante na proteção contra os efeitos do envelhecimento.



Como o estudo das proteínas humanas “é complexo”, os investigadores procuraram usar modelos mais simples, para estudar esta função e o que se passa para que as doenças surjam.



Leveduras como método inovador



“Nesse sentido, utilizámos leveduras, um organismo com células semelhantes às de outros organismos, incluindo humanos. Tirámos partido da semelhança entre leveduras e células humanas e estudámos o gene [DJ-1], na levedura, que tem quatro proteínas – HSP 31, HSP 32, HSP 33 e HSP 34. Estudámos o que fazem na célula e em que condições respondem”, explicou.



Os investigadores perceberam que, em leveduras, a exclusão de DJ-1 do genoma perturba vários mecanismos de proteção celular e, em última instância, a sobrevivência da levedura.



Segundo Tiago Outeiro, a descoberta “inovadora” é que “estas proteínas estão envolvidas na regulação de uma via TORC, que é muito importante, porque regula muitas funções celulares, incluindo o processo de autofagia – degradação de proteínas dentro das células para reciclagem”.



Assim, foi possível perceber onde é que a DJ-1 da levedura atua: modula a proteína TORC, que regula o envelhecimento, gerindo o equilíbrio entre a formação e a destruição de proteínas, o que aponta para que esta molécula possa ser a chave para a doença de Parkinson.

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