Cientistas consideram que o cancro "nunca será completamente erradicado"

"Guerra contra o cancro proclamada em 1970 jamais será vencida", prognosticam investigadores

26 de junho de 2014 - 13h01

Uma equipa internacional liderada por um pesquisador da Universidade de Kiel, na Alemanha, admitiu hoje a possibilidade de o cancro "nunca ser completamente erradicado", por a doença ser "tão antiga quanto a vida multicelular na Terra".

Citado pela revista Nature Communications, Thomas Bosch, cuja equipa apresentou os mais recentes resultados de uma pesquisa sobre a origem do cancro, afirmou que "o cancro é tão antigo quanto a vida multicelular na Terra e provavelmente nunca será completamente erradicado".

Segundo a publicação, há anos que Thomas Bosch e os seus colegas fazem investigações à volta do tema e agora fornecem provas de que "os tumores, de fato, existem em animais primitivos e evolutivos".

"Agora nós descobrimos pólipos portadores de tumor em duas espécies diferentes de hidra, um organismo muito semelhante aos corais", afirmou Thomas Bosch, que estuda as células estaminais e da regulação do crescimento de tecidos em Hidra, um pólipo de idade filogenética.

A hidra é um hidrozoário com o corpo em forma de pólipo que vive na água doce, preferencialmente em águas frias e limpas, presas por uma extremidades a uma rocha ou a vegetação aquática.

Cancro mais antigo que a humanidade

Utilizando métodos e bases de dados bio informacional, os cientistas Tomislav Domazet-loso e Diethard Tautz do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva em Plön, que há anos também têm investigado a origem do gene do cancro, e que participaram no estudo, anunciaram hoje ter feito uma descoberta inesperada.

"Os nossos dados previam que os primeiros animais multicelulares já tinham a maior parte dos genes que podem causar cancro em seres humanos", disse Tomislav Domazet-loso, embora a publicação científica considere que, até agora, não há evidências de que estes animais possam, na verdade, sofrer de tumores.

Segundo a publicação, também não há evidências de que a compreensão dos mecanismos moleculares de formação de tumores nestes animais seja simples.

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