Ataque cardíaco mata 4.000 portugueses por ano

Todos os anos morrem mais de quatro mil portugueses vítimas de um enfarte agudo do miocárdio, uma situação que os especialistas querem ver alterada, relembrando a importância da prevenção da doença no dia em que se celebra o Dia Nacional do Doente Coronário.
créditos: AFP

"As artérias coronárias são responsáveis pelo fornecimento de oxigénio ao coração e quando uma destas artérias fica obstruída e impede a passagem do sangue, provoca uma redução de oxigénio no músculo cardíaco, provocando lesão e morte celular de parte deste tecido, desencadeando o enfarte agudo do miocárdio", explica Severo Torres, coordenador da Unidade de Cardiologia do Hospital Lusíadas Porto.

"A principal causa do enfarte do miocárdio deve-se à acumulação de gordura e de outros componentes nas paredes das artérias coronárias, formando as chamadas placas de ateroma, capazes de obstruir os vasos sanguíneos e impedir o fluxo de sangue a partir daquele local", acrescenta o cardiologista, afirmando ainda que “esta doença cardiovascular é a causa de morte de mais de quatro mil portugueses todos os anos".

O principal sinal de alerta é a dor no meio do peito, que se pode estender para um ou para os dois braços, para as costas, pescoço, maxilar ou estômago, seguindo-se de outros sintomas como fraqueza ou fadiga inexplicáveis, falta de ar, suores, náuseas, vómitos, palidez e desmaio.

Rastreios a partir dos 40 anos

"O rastreio dos fatores de risco cardiovascular na população assintomática deve ser feito nos homens a partir dos 40 anos e nas mulheres a partir dos 50 anos ou após a menopausa. Um jovem sem sintomas, sem fatores de risco (nos quais se incluem os antecedentes familiares), com um exame físico sem alterações e um eletrocardiograma normal terá pouca probabilidade de ter qualquer alteração cardiovascular. Na presença de fatores de risco e de acordo com a avaliação do risco global, serão definidos os necessários exames complementares, que poderão incluir o eletrocardiograma, o ecocardiograma, a prova de esforço, o doppler carotídeo, a tomografia axial computorizada cardíaca, a ressonância magnética nuclear cardíaca e outros mais específicos, decorrentes de eventuais alterações detetadas nestes exames prévios", acrescenta o cardiologista.

Para prevenir a doença, o especialista aconselha: “fazer cinco refeições por dia, privilegiando o consumo de vegetais, fruta, cereais e peixe, beber um litro e meio de água por dia, fazer exercício, dormir cerca de seis a oito horas por dia e evitar bebidas alcoólicas e alimentos salgados ou ricos em gorduras e açúcares”.

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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