Afinal o mosquito "culex" também transmite Zika

O vírus Zika pode ser transmitido pelo mosquito Culex, além do Aedes aegypti, revela um estudo divulgado na quarta-feira pela fundação brasileira Fiocruz, que conseguiu sequenciar pela primeira vez o genoma do vírus neste inseto.

Febre do vale do Rift - A febre do vale do Rift afeta principalmente os animais, mas pode contaminar humanos através de picadas de mosquitos do género Aedes ou Culex ou do contacto com sangue, líquidos fisiológicos ou órgãos de animais contaminados. A doença pode ser mortal na sua versão hemorrágica. As primeiras manifestações são similares às de uma simples gripe - febre, dores musculares, vómitos - e o vírus é geralmente combatido com sucesso pelo corpo numa semana. No entanto, em alguns casos, a doença agrava-se e causa danos na retina, danos neurológicos ou febre hemorrágica.

Na investigação, publicada na revista Emerging Microbes & Infections, os cientistas comprovaram a presença de partículas do vírus na saliva de mosquitos Culex, o que indica sua capacidade de transmissão por picada.

A descoberta demonstra de "diversas formas diferentes" a possibilidade de que o Culex seja um dos vetores do vírus Zika, destaca Constancia Ayres, coordenadora do estudo, em comunicado da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esta espécie de mosquito é uma das mais presentes no Brasil, e em algumas partes da Europa, e também transmite encefalite, filariose e o vírus do Nilo ocidental.

Para realizar o estudo, os cientistas usaram amostras de Culex procedentes da área metropolitana deo Recife, um dos epicentros da epidemia de Zika que afetou o Brasil no ano passado, e onde a presença deste mosquito é vinte vezes superior à do Aedes aegypti.

O próximo passo é agora determinar a importância desta espécie na transmissão da doença, explica a Fiocruz.

O vírus do Zika, descoberto em 1947 numa selva do Uganda, começou a propagar-se em grande escala no início de 2015 no nordeste brasileiro e rapidamente deu origem a uma epidemia que atingiu toda a América Latina, tendo sido associada ao aumento dos casos de bebés com microcefalia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a epidemia de Zika uma emergência mundial, em fevereiro de 2016, perante a propagação da doença transmitida pelo Aedes aegypti, também vetor da dengue e da chikungunya.

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artigo do parceiro: Nuno Noronha

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