As bebidas desportivas podem degradar os seus dentes?

A explicação e os conselhos da médica dentista Vera Henriques.

A crescente atenção para a importância do exercício físico na saúde tem sido uma enorme conquista dos últimos anos que, certamente, dará frutos e se refletirá positivamente em muitos aspetos da nossa vida, compensando algumas tendências adversas, como o sedentarismo.

No entanto, a crescente adesão a uma vida ativa e com cada vez mais pessoas a investirem tempo e empenho no desporto, é acompanhada por alguns hábitos que podem ser nocivos, se não forem devidamente regrados e acompanhados. Uma das preocupações inerente aos hábitos dos desportistas é o impacto das bebidas isotónicas – também conhecidas como bebidas desportivas – na saúde oral e na qualidade da dentição.

O que são e para que servem as bebidas isotónicas?

Estas são bebidas que favorecem o funcionamento das células do organismo humano, visto terem uma concentração iónica semelhante à do sangue. O seu efeito diminui a sensação de fadiga, melhorando a capacidade de reposição dos líquidos, aspeto fundamental para a adequada hidratação corporal. Atendendo ao seu considerável aporte calórico, estas bebidas são especialmente aconselhadas a desportistas mas, mesmo neste grupo, podem ser responsáveis por danos relevantes na dentição.

O impacto das bebidas isotónicas na saúde oral prende-se com as condições de acidez que se verificam na cavidade bucal após o seu consumo: os níveis do pH descem para valores na ordem dos 2.0/2.5, contra os habituais 5.5, o que representa uma significativa alteração face ao pH saudável da boca.

Assim, o esmalte dentário é submetido a um "ataque", a chamada desmineralização, uma vez que perde minerais importantes como o cálcio, o fósforo ou o flúor. Quando se registam frequentemente estas condições de acidez, o esmalte torna-se poroso, com lesões de desgaste planas, havendo maior sensibilidade, maior risco de cáries e de fraturas dentárias. De salientar também que este desgaste potencia o escurecimento dos dentes, através da perda de esmalte, que não pode ser reposto, deixando a dentina, camada naturalmente mais escura, exposta.

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