Entrevista a Vânia Weissberg

As respostas da escritora do livro “100 perguntas e resposta sobre alcool, tabaco e drogas”

Porque escolheu estas temáticas tão sensíveis para abordar num livro?

 

Por que trabalhando na área da saúde e do desenvolvimento pessoal como psicóloga e especialista nas adições (dependências) percebi que a ignorância ou a fantasia em torno das drogas era grande o suficiente para a dependência instalar-se e que a informação e educação foi crucial no tratamento das drogas e prevenção da dependência. Tratar a dependência é como um tiro no escuro porque alguns conseguem vencer (recuperar-se), outros não conseguem levando até a morte. Por isso, resolvi dedicar-me a trazer a realidade destas temáticas ao público em geral com a intenção de partilhar os meus conhecimentos técnicos e experiência profissional apelando à responsabilidade de todos nós em fazer prevenção e ter uma sociedade mais saudável.

 

 

Qual para si é a importância do livro para os adolescentes?

 

Na era da informação, acho crucial poder informar com clareza, objetividade e veracidade sobre estas temáticas das drogas que estão acessíveis de forma tão agressiva principalmente para os jovens na fase da descoberta e desafios como a adolescência. A leitura deste livro tem como objetivo dar aos jovens conhecimentos para os prós e contras do uso e conhecer histórias reais que permite terem mais consciência e possibilidade de escolha como aprender a dizer não. 

 

 

Acredita que o conhecimento nesta idade pode afastá-los dos perigos que menciona no livro?

 

Quando eu criei o projeto “Dizer não” às drogas, que culminou neste livro, estivemos com cerca 2.631 jovens do 3º ciclo de escolaridade (12 aos 16 anos), professores e pais, onde notámos esta grande necessidade do saber para poder agir. Muitos jovens vinham-nos procurar para pedir ajuda ou contar algo que lhes preocupava e isto é um medidor da diferença que pode fazer o conhecimento. Nos resultados do follow-up que fazíamos após 6 meses o feedback também era muito importante, onde notávamos mudanças de comportamentos e pensamentos perante estas temáticas.

 

Acredito que fará alguma diferença no olhar do jovem em relação à “fantasia” vendida das drogas e que isto irá contribuir para um afastamento, mas que deverá ser reforçado em casa, na escola e outros meios de comunicação. Vejamos o caso do tabaco, o impacto que teve e tem nos jovens que “pregam” sobre os malefícios dos mesmos, mesmo tendo fumantes à sua volta. Portanto com as outras drogas também é possível se houver comprometimento de todos e se derem o seu contributo como este livro, que é para todos pois este tipo de informações são escassas para todas as camadas da sociedade. Prevenção deverá ser contínua e transversal a todos!

 

No caso dos adolescentes: acredita mais no poder da informação ou acha que a má influência dos amigos acaba por se sobrepor?

 

A informação que eu menciono tem por trás a educação, ou seja, falar da importância dos grupos e ditos “amigos” que têm grande influência nesta fase. Para além da informação técnica e científica, o efeito de outras perguntas do livro é justamente refletir sobre alguns conceitos e dar mais capacidade aos jovens de escolher sem medo de perder a amizade e seguir com mais poder de dizer não quando for preciso. Os jovens têm a consciência do poder dos amigos, mas por outro lado também tem a consciência de que alguns comportamentos e condições para pertencer ao grupo não são as melhores para eles. Estes precisam de apoio para sentirem mais seguros e verem que têm outras alternativas, por isso a influência dos pais e outros intervenientes são cruciais para ajudar estes jovens. Esta influência vai depender de quem estiver mais perto e poder convencer naquilo que o jovem está a procura

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