Como se escreve um livro infantil

A experiência de duas autoras que criaram uma coleção de histórias para crianças ajuda a perceber as preocupações que quem lida com os mais pequenos tem de ter.

Já tinham trabalhado juntas no planeamento, na escrita e na organização de livros de culinária e de publicações mais técnicas, mas nunca no desenvolvimento de uma coleção de livros infantil. Quando surgiu a oportunidade, Clara Campos e Leonor Noronha agarraram-na sem olhar para trás e assim nasceram «As Aventuras do Gui», uma saga de aventuras publicada pela editora Coisas de Ler, com o apoio do Sport Lisboa e Benfica. Veja a lista com outras obras infantis que despertam emoções!

Os livros que integram a coleção, entretanto terminada, contam a história de um pequeno heroi apaixonado por futebol, chamado Gui, que, juntamente com os seus amigos, se vê envolvido em aventuras emocionantes e surpreendentes. Os ingredientes indispensáveis a uma boa história para crianças, como estas, não são fáceis de resumir. «São vários os elementos que devem de ser conjugados para se chegar a uma boa história infantil», refere Leonor Noronha.

«A linguagem deve ser apelativa e adequada à faixa etária a que se destina a história, deve existir uma mensagem pedagógica passada de uma forma subtil, de modo a que as crianças possam aprender brincando e, por fim, as crianças devem sentir que os temas, por um lado, abrangem o seu universo e, por outro, lhes permitem sonhar», acrescenta ainda a autora, habituada a lidar profissionalmente com crianças.

«Neste caso concreto, os nossos leitores têm ainda a vantagem de encontrar um contexto espacial real, porquanto os cenários dos livros correspondem a locais que a grande maioria das crianças portuguesas conhece», acrescenta ainda Clara Campos, que considera que os pais de hoje têm um papel determinante para estimular os mais pequenos para a leitura, até porque a concorrência dos jogos de computador e dos programas de televisão não é fácil de combater.

A preocupação com a educação das crianças

Nos dias que correm, ler não é a atividade favorita dos mais novos. «Na educação das crianças deve haver espaço e tempo para tudo. Um livro, além de apresentar uma faceta lúdica, ajuda a desenvolver e a enriquecer o vocabulário, melhora a escrita, uma vez que, como é sabido, quem lê dá menos erros. Além disso, estimula ainda o ato cognitivo e a imaginação», sublinha a autora, que, tal como a amiga e colega, procurou ouvir ideias de algumas crianças antes de começarem a escrever.

«Desde o início do projeto que as opiniões dos mais novos foram primordiais. Lidamos diariamente com crianças, quer em casa, uma vez que a Clara tem filhas e eu tenho sobrinhos e afilhadas, quer a nível profissional nas nossas deslocações às escolas para fazer leituras e contar histórias. Tentamos absorver o feedback que as crianças nos transmitem e aproveitar as sugestões delas para os nossos livros», assegura Leonor Noronha.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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