Brincar ao ar livre

Lama, relva e água entretêm qualquer criança. E fazem bem à saúde!

Quando pensa na sua infância, de que brincadeiras se lembra melhor?

Das horas passadas em casa ou das corridas, do jogo da macaca e dos saltos na lama?

O mais normal é recordar-se das brincadeiras com amigos ou irmãos ao ar livre. Ninguém constrói grandes memórias a brincar sozinho e em casa. A conclusão é de um estudo de 1994 que, apesar da passagem do tempo, mantém a sua atualidade, asseguram especialistas.

 

Michael L. Henniger, investigador da Universidade Ocidental de Washington, partiu das recordações que 150 jovens adultos tinham das suas brincadeiras enquanto crianças. Mais de 75 por cento recordou as atividades ao ar livre. Ainda por cima, os benefícios das brincadeiras ao ar livre são inúmeros, tanto ao nível do desenvolvimento como da saúde. E que tal ir brincar com o seu filho... fora de casa?

A bem da saúde

«O contacto com a natureza e com vários tipos de patogéneos cria nas defesas da criança uma memória imunitária que favorece a sua capacidade de resistir a infeções. A asma e as doenças de autoimunidade estão mais presentes nos países industrializados, por um lado, pela poluição e, por outro, pela redoma em que as crianças tendem a viver», afirma Mónica Pinto, pediatra do desenvolvimento.

Um estudo da Universidade de Bristol, no Reino Unido, concluiu mesmo que as bactérias na lama ajudam a ativar a serotonina, ou seja, os químicos da boa disposição. De acordo com o líder da equipa de investigação, Chris Lowry, o estudo vem realçar «a importância de um sistema imunitário saudável para a manutenção de uma boa saúde mental». No comunicado de apresentação das conclusões, o investigador considera que, «se calhar, devíamos todos passar mais tempo na lama».

Exploradores de palmo e meio

«Ser criança é explorar e nunca um explorador esteve imaculado», constata Mónica Pinto. «A brincadeira espontânea, sem horários e acessórios ajuda a estimular mais a criatividade», refere a especialista. No entanto, «as regras são importantes para que haja segurança e a supervisão do adulto também, sobretudo com crianças pequenas. E o seu envolvimento ativo dá ainda mais satisfação às crianças».

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