Quem recorre à procriação medicamente assistida em tempos de crise?

Estudo revela que a idade das mulheres que recorrem a técnicas de procriação medicamente assistida está a aumentar.

Um estudo realizado pelo IVI Lisboa revela que, entre as doentes que realizaram tratamentos de fecundação in vitro (FIV) entre janeiro de 2010 e agosto de 2013, houve um aumento de 27 a 41 por cento nas mulheres com idade igual ou superior a 38 anos.

 

Esta é a principal conclusão do estudo Quem recorre à procriação medicamente assistida em tempos de crise?, que permite perceber que, à diminuição no número de tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA), soma-se uma maior proporção de doentes com idade reprodutiva avançada e pior prognóstico, ambos fatores que levam a uma redução no número de crianças nascidas como resultado destes tratamentos.

 

Sérgio Soares, diretor do IVI Lisboa, afirma que «para além do que se tem afirmado que estão a ser realizados menos tratamentos de PMA em Portugal, observa-se uma clara e forte tendência, no contexto de alguns centros privados, ao aumento da idade das mulheres que se submetem a tratamentos de fecundação in vitro. Ambos os factos, de modo independente, determinam uma redução no número de recém-nascidos por estas técnicas.»

 

«O aumento da proporção de tratamentos nessa faixa etária reflete que a situação económica atual e a instabilidade laboral podem ter um impacto mais forte nos casais com menos idade, determinando, nestes, um adiamento do projeto reprodutivo», explica o responsável pelo IVI Lisboa.

 

«À medida que aumenta a idade da mulher, diminui a quantidade e a qualidade dos óvulos. Como resultado desta situação, aumentam as dificuldades para conseguir a gravidez e alguns riscos gestacionais, como o aborto», conclui Sérgio soares.

 

O estudo do IVI Lisboa tem como objetivo determinar o efeito da crise económica no perfil das doentes que recorrem aos tratamentos de PMA. Os resultados demonstram que, desde 2010, tem havido um aumento significativo na percentagem de doentes na faixa etária dos 38 anos ou mais.

 

Assim sendo, a idade da mulher é um fator-chave a ter em conta na planificação do projeto reprodutivo, já que tem um importante efeito negativo no sucesso da fecundidade espontânea e das técnicas de PMA.

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