Maioria das universidades legitima praxes e não concorda com a sua proibição

A maioria das associações académicas e universidades concorda com a existência de praxes e opõe-se a uma proibição da prática, segundo um estudo sobre o fenómeno social das praxes divulgado esta segunda-feira (06/03).
créditos: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Nenhuma das associações contactadas tem uma posição declaradamente contra o fenómeno. O estudo “A praxe como Fenómeno Social”, promovido pela Direção Geral do Ensino Superior e elaborado por uma equipa conjunta de investigadores do Centro de Investigação e Estudos Sociais do ISCTE-IUL (CIES), do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (ISUP) e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), vai ser apresentado hoje num debate na Universidade do Minho, em Braga.

O estudo sugere que o Governo deveria criar uma linha gratuita e permanente de apoio a vítimas de violência no contexto das praxes académicas que garanta aconselhamento jurídico.

Segundo os investigadores, o inquérito às instituições de Ensino Superior e às associações académicas e de estudantes, ao qual responderam 64 instituições e 25 associações de estudantes, não sendo suficiente para extrapolação estatística, permite ter uma primeira fotografia da realidade das praxes académicas no conjunto dos distritos do país.

Entre as associações com uma posição favorável evidencia-se o acordo com a sua função de integração e com os valores que a praxe promove.

O estudo identifica associações que são favoráveis desde que não haja abusos e ofensas à integridade dos estudantes, defendendo algumas delas que é necessário reforçar o carácter de integração das atividades.

Outras associações assumem neutralidade

Um conjunto de outras associações afirma ter uma posição neutral, nem contra nem a favor da praxe, uma vez que a sua função é representar a globalidade dos estudantes da sua instituição.

Em termos gerais, a perceção das instituições de ensino superior e das associações académicas e de estudantes sobre o fenómeno da praxe é bastante próxima.

Mais de 80% das instituições reúnem-se formalmente com as estruturas de praxe para sensibilizá-las e alertá-las para as situações de abusos, articular iniciativas conjuntas ou estabelecer uma regulação interna destas atividades.

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