Novo livro aborda relações entre avós e netos nos Açores

Os laços entre gerações têm-se vindo a intensificar numa atitude recíproca de entreajuda entre netos e avós nos Açores e comunidades emigrantes, revela um livro que será lançado na sexta-feira em Ponta Delgada.

O livro tem como título “A voz dos Avós: Gerações e Migrações” e é, segundo a coordenadora do projeto, "uma panóplia de temáticas".

"São 14 capítulos que respondem a algumas questões que hoje em dia nós [colocamos], numa sociedade onde o envelhecimento é cada vez mais pronunciado. Esperamos que este livro sirva para orientar ideias e informar sobre as questões do envelhecimento e da relação entre as gerações”, disse Rosa Simas, em declarações à Lusa.

A publicação enquadra-se na atividade do Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores, resultante de uma parceria com a Universidade de Toronto (Canadá) e da Califórnia (nos EUA), e academias no Brasil e Portugal continental, para "versar as questões ligadas à relação entre avós e netos e entre as gerações, com ligação às comunidades".

“O que define uma geração? Que impacto têm as relações intergeracionais na família? Que papel têm os avós na vida dos netos? E os netos na vida dos avós e no envelhecimento ativo? Por que se começa a separar 'terceira idade' de 'quarta idade'?” são algumas dessas questões.

Segundo a docente da Universidade dos Açores, há "netos que acompanham os avós nas suas atividades diárias ou nas deslocações ao médico", uma realidade de que muitas vezes a sociedade não se apercebe.

Rosa Simas destacou ainda um artigo da publicação que dá "a visão do outro lado do Atlântico, nos EUA e Canadá", sobre a forma como a diáspora açoriana enfrenta novos desafios que "também se refletem aqui", fruto da crise.

"Sabemos que muitas pessoas de terceira idade estão atualmente a alojar, e mesmo a sustentar, as gerações mais jovens, porque muitos jovens estão desempregados. E estas realidades aproximam gerações e também colocam grandes desafios quer aqui como na diáspora. Pensamos que vivemos aqui em crise, mas é claro que os EUA e Canadá também enfrentam a sua versão da crise. E estas realidades extravasam fronteiras", referiu.

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