Direção-Geral da Saúde aconselha as mulheres a tomar iodo antes de engravidarem

O iodeto de potássio vai custar entre 3,64 e 4,10 euros e cada embalagem dará para dois meses.

As mulheres que estão a planear engravidar, as grávidas e as mães que amamentam vão ser aconselhadas pelos médicos a tomar diariamente um suplemento de iodo, caso apresentem carências deste elemento. «As mulheres em preconcepção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio (150 a 200 microgramas), desde o período preconcepcional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo, pelo que deverá ser prescrito o medicamento com a substância ativa de iodeto de potássio na dose devidamente ajustada», refere uma orientação clínica da Direcção-Geral da Saúde (DGS) que é hoje publicada na página da Internet daquele organismo.

 

Com esta medida, a DGS pretende que todas as mulheres tenham uma adequada reserva de iodo ainda antes da conceção, de preferência, e que, em situações de risco, tomem este suplemento logo início da gravidez. «É uma importante medida de saúde pública que está em preparação desde 2011», destaca o diretor-geral da Saúde, Francisco George. Não avançou mais cedo, explica, porque foi necessário aprovar um medicamento que necessita de receita médica e que vai ser vendido nas farmácias a partir de 1 de Setembro.

 

É durante a gravidez que a carência de iodo «envolve maior risco, pois, como tem sido demonstrado, pode levar a alterações cognitivas nas crianças com diminuição do seu quociente de inteligência», justificam os especialistas que assinam a orientação da DGS. «O iodo é muito importante no desenvolvimento do cérebro e maturação do feto, principalmente até às 20 semanas de gestação», explica Almerinda Pereira, presidente da Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria, que fez parte do grupo de trabalho. A médica recorda, a propósito, a importância da introdução da suplementação com ácido fólico nas grávidas, há alguns anos. «Diminuíram significativamente os defeitos do tubo neural. Cada vez nascem menos crianças e temos de prevenir ao máximo eventuais atrasos no desenvolvimento», nota.

 

COMPARTICIPAÇÃO EM ESTUDO

O iodeto de potássio vai estar disponível nas farmácias a preços que oscilam entre os 3,64 e os 4,10 euros, em embalagens que darão para cerca de dois meses. O pedido de comparticipação deste medicamento que é produzido pelo laboratório português Bial ainda está a ser apreciado, mas tudo indica que será aprovado no escalão B (37%). A Bial já comercializa este fármaco em Espanha desde há cerca de quatro anos, explica o diretor-geral para Portugal do laboratório, José Redondo.

 

É do senso comum que o iodo se obtém através da dieta, em alimentos como o peixe e produtos lácteos. Mas a dieta não parece ser suficiente em Portugal, onde o consumo de iodo é inferior ao ideal, a crer em vários estudos realizados. As carências são conhecidas desde há algum tempo, mas foi um estudo de base populacional divulgado em 2010 (com uma amostra de 3631 grávidas em 17 maternidades do interior, litoral e regiões autónomas) que permitiu perceber a real dimensão do problema: apenas 17 por cento das mulheres tinham valores de iodo inferiores aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação nas regiões autónomas era ainda era pior: na Madeira, mais de 90 por cento das grávidas apresentavam valores inadequados e, nos Açores, essa proporção era ainda superior. Um estudo anterior (2008) realizado na região do Minho tinha já demonstrado também que as mulheres em idade fértil e as grávidas apresentavam deficiência de iodo.

 

Mas a orientação agora divulgada pela DGS é «eventualmente temporária». O passo seguinte será assegurar a utilização universal de sal iodado (20-40 miligramas de iodo por quilo de sal) em vez do sal habitualmente usado na cozinha, uma prática que já é corrente em muitos países e que eliminará, no futuro, a necessidade de suplementação específica na gravidez e lactação. A DGS também vai estudar o teor de iodo em vários alimentos, porque isso difere de país para país e essa avaliação não está feita em Portugal.

 

 

Fonte: Lusa

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