Depressão dificulta atividades parentais

Os pais deprimidos podem estar emocionalmente menos disponíveis para os filhos.

Investigadores do Reino Unido identificaram os sintomas de depressão que são passíveis de causar dificuldades na execução das atividades parentais, dá conta um estudo publicado na revista Psychological Medicine.

 

A equipa da Universidade de Exeter analisou vários estudos anteriores e constatou que os pais com depressão podem estar emocionalmente menos disponíveis e como consequência sentem vergonha e culpa relativamente ao seu papel na parentalidade.

 

Este trabalho também sugere que os problemas de memória, um dos sintomas da depressão, pode afetar a capacidade dos pais definirem objetivos apropriados para a fase de desenvolvimento em que os seus filhos se encontram.

 

Nas semanas após o nascimento, a interação da mãe com a criança conduz a alterações estruturais no cérebro que a ajuda a responder às necessidades do bebé. Estas alterações podem também ocorrer nos membros masculinos do casal.

 

Contudo, no caso de os pais estarem deprimidos, a frequência destas interações não ocorre à cadência desejada. Isto pode impedir o desenvolvimento das alterações cerebrais e, consequentemente, resultar em dificuldades na realização de atividades parentais que, em última análise, podem conduzir ao aparecimento de problemas comportamentais nas crianças.

 

«Analisámos vários estudos e identificámos múltiplos fatores que associaram a depressão dos adultos com a realização das atividades parentais», revelou, em comunicado de imprensa, Lamprini Psychogiou, uma das autoras do estudo.

 

«Este trabalho irá ajudar a identificar áreas da investigação necessárias para desenvolver intervenções que irão impedir a transmissão de problemas mentais de uma geração para a outra. Esperamos que este estudo ajude tanto os pais com depressão quanto os seus filhos», acrescentou a investigadora.

 

Em estudos futuros, irão ser testados os mecanismos que associam a depressão nos adultos à sua dificuldade na parentalidade. Um melhor conhecimento destes processos vai permitir o desenvolvimento de tratamentos mais específicos e potencialmente mais eficazes, concluem os autores do estudo.

 

 

Maria João Pratt

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