Crianças até aos 3 anos consomem o dobro das proteínas que deviam

As crianças portuguesas entre os 12 meses e os três anos consomem mais do dobro das proteínas recomendadas, sobretudo devido a um excesso de leite de vaca.

De acordo com os dados do estudo EPACI – Estudo do Padrão de Alimentação e de Crescimento na Infância, que será apresentado hoje em Lisboa, as crianças portuguesas registam um consumo de energia superior às recomendadas e um consumo de proteínas mais do dobro do recomendado.

 

Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, explicou à agência Lusa que parte desse consumo excessivo de proteínas se deve ao leite, com os pais a terem tendência para sentirem que a criança fica protegida se consumir elevadas doses proteícas.

 

Também Carla Rêgo, pediatra e coordenadora do EPACI, indica que estão a ser dadas às crianças até aos três anos «volumes de leite de vaca francamente acima do recomendável».

 

Segundo a especialista, a partir dos 12 meses já pode ser introduzido leite de vaca na alimentação das crianças, embora as recomendações vão para se continuar a dar leite de fórmula (em pó) durante mais tempo.

 

«As fórmulas infantis têm menor teor de proteína e têm a adição de alguns nutrientes que o leite de vaca não consegue fornecer», disse, explicando que há atualmente um «recurso precoce ao leite de vaca».

 

De acordo com Carla Rêgo, são suficientes, entre os 12 e os 36 meses, entre 300 a 500 mililitros de leite e derivados, ou seja, já incluindo iogurtes e queijo. O consumo aconselhado de proteínas nesta faixa etária é de 0,8 a 1,2 gramas por quilo de peso.

 

Além do recurso precoce ao leite de vaca, a especialista aponta as quantidades excessivas consumidas por crianças pequenas que já estão inseridas na dieta familiar, comendo carne e peixe, por exemplo.

 

Para Carla Rêgo, o estudo demonstra que «o maior responsável pela oferta de proteína» a estas crianças é a proteína do leite de vaca.

 

Outro dos problemas detetados no estudo nos bebés até aos três anos é o consumo excessivo de energia, com o consumo de bebidas açucaradas numa base diária a contribuir fortemente para esta realidade.

 

Segundo Pedro Graça, 17 por cento das crianças portuguesas com 18 meses consome refrigerantes diariamente, com o consumo diário de sobremesas a ser também elevado, de acordo com os indicadores do estudo que tem uma amostra representativa da realidade nacional.

 

«Muitas vezes, dar doces é como um gesto de ternura, uma forma de tornar as crianças mais felizes e bem-dispostas. É importante que pais e familiares percebam que a oferta de doces desde muito cedo é nefasto para a criança», alertou.

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