Centro que ajuda vítimas de violência doméstica no Porto deteta 1.646 casos em 5 anos

Mais de metade das 1.646 mulheres atendidas em cinco anos num centro dedicado à vítima de violência doméstica que atua no Grande Porto sofreram ameaças, incluindo “com arma” ou “de morte”, indicou hoje fonte deste serviço.

Em dia de aniversário, os responsáveis do centro P'ra Ti – um serviço da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) - compilaram dados sobre maus tratos em contexto doméstico, dividindo-os em físicos, psicológicos, sexuais e económicos.

As mulheres atendidas - de 2009 a 2014, maioritariamente dos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia e Gondomar - colocam as bofetadas e os murros como queixas principais (55,1% e 36,9%, respetivamente) de maus-tratos físicos.

Em queixas sobre violência psicológica, aparecem nos registos os insultos (75,3%) e as ameaças (62,8%). As ameaças de morte foram 22,5% e 1,7% foram ameaçadas com arma.

A idade média das mulheres atendidas no P'ra Ti é 41 anos. A maioria é construída por portuguesas (87%), mas há também brasileiras (9%) e de outras nacionalidades (4%), nomeadamente chinesas e marroquinas. A utente mais jovem que recorreu a este serviço da UMAR na zona do Porto tinha 16 anos e a mais velha 86.

Na apresentação de hoje, a diretora técnica do P´ra Ti, Ilda Afonso, contrariou a ideia de que as vítimas de violência doméstica sejam principalmente mulheres com pouca ou nenhuma escolaridade, já que a maior percentagem das vítimas tem pelo menos o 3.º ciclo de escolaridade. E 114 mulheres atendidas têm mesmo licenciatura.

Ilda Afonso apontou como maior constrangimento atual no combate à violência doméstica a morosidade ou o indeferimento do apoio social, uma vez que “a maior parte das mulheres sai de casa com a roupa do corpo e o dinheiro que tem na carteira e só consegue ter acesso aos bens do casal após um longo processo judicial”.

A falta de articulação das decisões judiciais, em articulação com o direito de representação, gerou uma ideia: “a criação de uma lista de advogados que tenham formação adequada para lidar com casos de violência doméstica”.

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