Síndrome de HELLP

Quando a Pré-Eclâmpsia não é diagnosticada atempadamente pode progredir para a Síndrome de HELLP

A gravidez é um fenómeno natural e fisiológico para a mulher, no entanto, durante este período podem ocorrer alguns problemas que coloquem em risco a saúde materna. Uma destas complicações é a Pré-Eclâmpsia, que se não for diagnosticada atempadamente pode progredir para a Síndrome de HELLP.

A Pré-Eclâmpsia é uma doença que ocorre no início da gravidez e é caraterizada por um aumento da tensão arterial, designada por hipertensão de novo, pela libertação de proteínas na urina e pelo aparecimento de edemas. São várias as complicações maternas que podem decorrer da Pré-Eclâmpsia, como lesões neurológicas permanentes, insuficiência renal, risco aumentado de hipertensão após a gravidez e descolamento prematuro de placenta. A sua prevalência em Portugal atinge os 2%.

A Síndrome de HELLP é uma complicação obstétrica com risco de morte e HELLP é o acrónimo dos três principais componentes da síndrome: Hemólise (destruição de glóbulos vermelhos no organismo), Enzimas Hepáticas Elevadas (Elevated Liver Enzymes) e Plaquetas Baixas (Low Platelets).

A Síndrome de HELLP pode ser diagnosticada pelo agravamento do quadro clínico de pacientes com Pré-Eclâmpsia, que geralmente apresentam sintomas como dor abdominal e/ou convulsões. Algumas grávidas apresentam maior propensão à Pré-Eclâmpsia, registando-se situações mais frequentes nas primeiras gravidezes, nas mulheres que já têm a tensão arterial elevada. Após o nascimento do bebé a pressão arterial da mãe deve ser vigiada nas primeiras 48 horas a seguir ao parto, devendo ser também monitorizada pelo médico assistente durante mais algum tempo, consoante a situação clínica.

O tratamento para a Síndrome de HELLP passa pela realização do parto o mais rapidamente possível. O médico assistente pode induzir o trabalho de parto com agentes específicos ou programar uma cesariana antecipada ou optar por colocar a gestante em repouso absoluto, ingerindo líquidos e monitorizando a evolução da gravidez, dando ao feto tempo para se desenvolver. O médico pode ainda administrar medicamentos para controlar ou prevenir complicações como pressão sanguínea alta ou convulsões.

Não existe forma de prevenção da Síndrome de HELLP. No entanto, o diagnóstico precoce aumenta a probabilidade de sobrevivência da mãe e do feto.

Desta forma, torna-se importante que a gestante informe imediatamente o médico assistente sobre qualquer sintoma, convulsão ou dor abdominal.

Maria José Rego de Sousa, MD, PhD

Dra. Maria José de Sousa

 

artigo do parceiro: Susana Krauss

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