Viver num mundo às avessas

Tem um filho canhoto? Saiba como ajudá-lo no dia a dia

Sabia que os canhotos processam mais rapidamente a transferência de informação de um hemisfério do cérebro para o outro e que isso os torna mais rápidos em alguns desportos, videojogos ou até conduzir com muito trânsito?

Esta foi a conclusão de um estudo elaborado pela Universidade Nacional da Austrália.

 

Esta investigação é apenas mais uma prova de que, durante séculos, a sociedade foi injusta para os canhotos, olhados com desconfiança erradamente desde os primórdios da humanidade. Apesar de tudo, os 12 a 15 por cento da população mundial, que preferem a mão esquerda para fazer as tarefas que a maioria realiza com a direita, ainda continuam a ter que se adaptar a um mundo criado quase exclusivamente para destros.

Se o seu filho é canhoto, não faça disso um drama. Ajude-o a ultrapassar essas dificuldades. Com os conselhos que lhe apresentamos de seguida, vai ver que não é assim tão difícil!

Um gene especial

A razão porque alguns de nós usam a mão esquerda em detrimento da direita, é uma questão antiga que só obteve confirmação científica em agosto de 2007. Tal como já se previa, ser canhoto tem uma causa genética. Investigadores da Universidade de Oxford conseguiram individualizar um gene (chamado LRRTM1) que, de acordo com os cientistas, determina que o hemisfério direito do cérebro seja dominante em algumas pessoas, fazendo com que usem preferencialmente o lado oposto do corpo, ou seja, o esquerdo.

Nos destros predomina o hemisfério esquerdo, que controla o lado direito do corpo. Curiosamente, os dois hemisférios do cérebro têm funções específicas no pensamento humano. Enquanto o esquerdo é responsável pelo pensamento linear, pelo raciocínio e pela lógica, o direito está associado ao pensamento holístico, à criatividade e às emoções. Daí que muitos canhotos tenham uma apetência especial para as artes.

A preferência

«A idade em que a lateralidade começa a definir-se é variável de criança para criança», afirma Rosa Gouveia, presidente da secção de Pediatria de Desenvolvimento da Sociedade Portuguesa de Pediatria. No primeiro ano de vida, o bebé manipula os objetos com as duas mãos, mas no segundo pode já mostrar preferência por uma delas.

«Isto é facilmente observável quando a criança empilha cubos ou usa o lápis para fazer riscos no papel», exemplifica. «Os meus pais começaram a reparar que era canhota aos três anos quando comecei a pegar na colher para comer», conta Filipa Pais, professora.

Segundo a pediatra, os pais «devem deixar que a criança defina a sua lateralidade e não a devem contrariar. Proibi-los não é fisiologicamente correto». Mas durante muito tempo, foi comum obrigar-se as crianças canhotas a escrever com a mão direita.

Castigo este que apenas serviu para dificultar a aprendizagem, pois qualquer tarefa escolar requeria o dobro da concentração. «E o que acontecia é que a criança poderia até passar a escrever com a mão direita, mas continuava a usar a esquerda para as outras manipulações», assegura Rosa Gouveia.

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