Vamos mudar de vida!

O nosso percurso é evolutivo e, por vezes, é necessário alterar o cenário da família. Mas as crianças gostam de rotinas e nem sempre é fácil transmitir-lhes a mudança de forma eficaz e positiva. Porém, vale a pena tentar. Ajuda na transição e dá-lhes

Está para nascer um novo bebé. A mãe ou o pai já não têm o mesmo trabalho ou andam à procura de emprego. A família vai mudar de casa. Ou de cidade. Ou de país.

 

Nos dias de hoje, as grandes alterações no modo de viver estão longe de ser uma raridade. E se nem sempre é fácil para os adultos adaptarem-se aos novos tempos, as crianças podem ter dificuldades acrescidas.

 

Sabe-se que os mais novos são seres profundamente adaptáveis. Mas também são as rotinas e o “saber com o que podem contar” que lhes transmitem muita da tranquilidade necessária a um desenvolvimento harmonioso.

 

Se os acontecimentos impõem mudanças, o truque é garantir que, no que realmente importa – ou seja, o amor e a relação próxima entre os vários membros da família – nada se alterará para pior e que estarão todos juntos. Para o que der e vier.

 

 

A verdade, sempre

 

Dizer a verdade é sempre a melhor política, seja qual for a idade da criança. De qualquer forma, o discurso deve ser adaptado ao seu entendimento e maturidade. Por exemplo, não se explica uma situação de desemprego da mesma forma a uma criança de três ou a uma criança de seis anos.

 

E também cabe aos pais escolherem o melhor momento para contarem as novidades. A altura ideal depende do assunto. Se as modificações têm carácter urgente, é importante que a criança saiba o mais depressa possível.

 

Mas se for um processo mais demorado, caso de uma gravidez ou uma mudança de casa ou de região, para que esperar até às vésperas do nascimento ou quando o camião das mudanças está parado à porta de casa?

 

 

Todos os “porquês”

 

É importante que os pais estejam preparados para a catadupa de perguntas que provavelmente surgirão. Mais do que ficarem apreensivas com a mudança em si, o que muitas crianças temem realmente é o desconhecido.

 

Responder às dúvidas que surgirem (mesmo com um honesto ‘isso não sei, mas quando souber digo-te!’) reduz a ansiedade e ajuda a processar toda a informação.

 

Por outro lado, estando habituadas à franqueza dos adultos, as crianças não só vivem mais seguras como aprendem, elas também, a usar a verdade nas suas relações com os outros, por mais difíceis que sejam os temas.

 

Período de adaptação

 

Não se espere que a criança, depois de saber das novidades e mesmo que pareça ter interiorizado tudo, continue a vida como se nada fosse.

 

Toda a mudança começa no interior e poderão aparecer sinais de que ela está a adaptar-se e necessita de ajuda para gerir os novos sentimentos. E podem surgir mudanças de comportamento, inseguranças, retraimento na vida social e mesmo recusa à mudança.

 

Aos pais cabe a tarefa de reconhecer que tudo isto faz parte do necessário período de adaptação, pelo qual eles estão, provavelmente, também a passar. Observar atentamente a criança e oferecer ajuda sempre que for preciso é essencial nesta fase.

 

Uma ajuda que começa por respeitar sentimentos, mesmo os mais desafiantes e até negativos, e apresentar não só alternativas como perspetivas positivas.

 

“Vais ter um mano ou uma mana e vais ajudar-nos tanto a cuidar do bebé! És o nosso melhor companheiro!”; “Queres escolher as cores e os móveis para o teu quarto na casa nova?”; “O pai/mãe agora vai ficar uns tempo mais em casa e vai conseguir ir buscar-te à escola e brincar muito mais contigo!” e “sei que vamos para longe, mas é um dos países mais giros do mundo, que sorte!” são algumas formas de enquadrar a mudança.

 

A boa notícia é que, nesta missão, os adultos provavelmente encontrarão também um caminho para enfrentar o que o futuro lhes reserva.

 

 

Maria Cristina Rodrigues

 

artigo do parceiro: Maria Cristina Rodrigues

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