Os mitos da utilização de sistemas de comunicação aumentativa e alternativa (Parte I)

Quando as dúvidas surgem é importante serem esclarecidas e os preconceitos desmistificados. Clarificar o papel de cada interveniente no processo de implementação de um SCAA é essencial para a utilização eficaz do mesmo

Os sistemas de comunicação aumentativa e alternativa (SCAA) têm um impacto positivo na qualidade da comunicação de um indíviduo com limitações nesta competência. Contudo, nem sempre são utilizados, quer por limitações no acesso, quer por ideias erroneas acerca do propósito do mesmo: ‘É demasiado novo para essas coisas?’, ‘Eu sei lá mexer com isso.’, ‘Tenho de transportar aquilo para todo o lado?’, atrasando o processo de aprendizagem e automatização do SCAA, que poderia ter contribuído para o aumento das competências comunicativas e da qualidade de vida.

Alguns mitos:

“O sistema de comunicação aumentativa e alternativa vai impedir o desenvolvimento da fala do meu filho.”
A necessidade de fornecer meios de comunicação alternativos à fala e que aumentem a informação comunicativa e linguística é pertinente em crianças que de outra forma não teriam os alicerces para o desenvolvimento e uso da comunicação, da linguagem e da fala. Aliás, a introdução de um SCAA está corrrelacionado com o desenvolvimento da fala, embora a criança não vá utilizar exclusivamente a fala como meio de comunicação.

“Prefiro esperar até mais tarde, até perceber que é mesmo impossível ele falar.”
A idade não é um critério para a introdução de um SCAA. Até bebés desenvolvem comportamentos comunicativos.
Uma comunicação eficaz promove o desenvolvimento de competências como a independência, auto-confiança, participação escolar, progesso académido e interação social. Uma criança que não comunique eficazmente corre riscos de desenvolver problemas cognitivos, sociais, emocionais e comportamentais.

Mesmo que a fala esteja presente, não condiciona a aplicação de um reforço comunicativo, criado e desenvolvido para apoiar e organizar o discurso, aumentando a ‘qualidade da informação’.

“Uma criança vai utilizar a comunicação aumentativa e alternativa espontaneamente assim que o sistema lhe é apresentado”.
A utilização do SCAA leva tempo a dominar. Esta aprendizagem requer tempo, uso do SCAA, experimentação com diferentes parceiros e em diferentes contextos. Uma criança quando nasce, antes de aprender a falar esteve exposta à comunicação através da fala.. A criança que vai utilizar um SCAA também precisa de tempo para dominar o uso e generalizar o que aprende em ambiente mais controlado.

“Somos uma família muito atarefada. Quando devemos utilizar o SCAA?” 
O SCAA é a “voz” do seu filho, lembre-se disso. Deve estar disponível para ele o usar sempre e quando quiser. Por vezes a hora e o local podem parecer inconvenientes mas a preseverança é essencial. Em casa ter quadros individuais para as divisões da casa pode ser util: comidas e bebidas na cozinha, ações de higiene na casa de banho, programas de televisão na sala para o seu filho e a família escolherem, brinquedos junto da caixa dos brinquedos, peças de roupa no quarto para indicar a ordem pela qual vai vestir ou despir.

Quando as dúvidas surgem é importante serem esclarecidas e os preconceitos desmistificados. Clarificar o papel de cada interveniente no processo de implementação de um SCAA é essencial para a utilização eficaz do mesmo.

Ana Paris Leal – ana.paris@pin.com.pt
Ana Beirão – ana.beirao@pin.com.pt
Terapeutas da Fala

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