O Pediatra diz que é ainda pequenino para fazer Terapia da Fala - será?

A Terapia da Fala tem uma abrangência de atuação da neonatologia à geriatria, ou seja, desde o dia que nascemos até ao nosso último dia de vida. Como tal não se é "pequenino ou demasiado crescido para fazer Terapia da Fala"

Outro testemunho que se ouve com alguma frequência e que está relacionado é "iniciar terapia da fala já? Não! Só depois dos 3 anos". Como se até ao dia em que se faz 3 anos todas as hipóteses "da situação" se resolver por si própria estivessem presentes. E nesse dia a par das demais prendas essa fosse mais uma a ser recebida e "o problema resolveu-se por si" ou então não "a prenda não foi entregue!"
A idade não é O fator determinante para procurar ou não o parecer de um Terapeuta da Fala, e garantidamente não é o fator de exclusão, mas sim as dificuldades que a criança pode apresentar antes dos 3 anos.

• não faz sucção

• tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência

• baba-se imenso e tal não é justificado pelo surgir da dentição

• não mastiga, prefere tudo passado a sólidos

• não fala

• produz sons de fala, mas ninguém entende o que diz

• não apresenta intenção comunicativa

• gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado

Se alguma destas, entre outras possíveis, for observada há razões para pedir um parecer ao Pediatra do seu filho ou para procurar um Terapeuta da Fala antes dos 3 anos de idade. 

Pois, no século XXI a intervenção dos profissionais de saúde tem uma perspetiva holística, ou seja, a intervenção não é só dirigida ao próprio, mas também a sua família e demais ambientes (jardim-de-infância; escola…) são envolvidos no processo terapêutico. Como tal, os receios e dúvidas dos pais são esclarecidos; os pais são aconselhados quanto ao que não fazer, bem como ao que é mais adequado. São os pais que vão aprender como intervir, por exemplo, o que fazer para estimular a sucção,... o que fazer quando se engasga… para além da intervenção com a própria criança. Eventualmente, as atitudes dos pais podem ser alvo de intervenção - como reagir a uma criança que repete várias vezes "eu...eu...eu...eu...eu...e....e....e...e..." e muitas vezes ao dia...; como atribuir significado aos sons de fala que ninguém entende.

Cada uma das dificuldades referidas, entre outras, é passível de não ser relevante é certo, dependerá. Mas caso seja relevante, há intervenção disponível, no entanto, não fazer nada não é uma delas.

Jaqueline Carmona
Terapeuta da Fala, Linguista
Especialização em Perturbações da Fluência (Gaguez) jaqueline.carmona@pin.com.pt

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