Exercício físico ajuda crianças com défice de atenção

Um estudo publicado no Journal of Pediatrics diz que bastam 20 minutos de atividade para que os mais pequenos se consigam concentrar melhor e distrair-se menos nas aulas

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A perturbação de hiperatividade com défice de atenção, também conhecida como PHDA, é das perturbações neurodesenvolvimentais mais prevalentes e estudadas, sendo mais frequente nos rapazes do que nas raparigas. É um transtorno que manifesta sinais de desenvolvimento inadequado na criança em relação à sua idade mental e cronológica, nos domínios da atenção, impulsividade e atividade motora. As causas são diversas, sendo difícil, na maior parte dos casos, identificar uma etiologia precisa.

São várias as investigações desenvolvidas nesta área, sendo que provavelmente a primeira referência científica foi efetuada por G. Keith Still que em 1092 descreve um conjunto de crianças que apresentavam sintomatologia comportamental muito semelhante à atual PHDA e à perturbação de oposição. E. Cardo e Mateu Servera-Barceló, em 2005, referem que a PHDA tem uma base genética, em que estão implicados diversos fatores neuropsicológicos que provocam na criança alterações atencionais, impulsividade e uma grande atividade motora.

Trata-se de um problema generalizado de falta de autocontrolo com repercussões no seu desenvolvimento, na sua capacidade de aprendizagem e no seu ajustamento social. Diversos estudos demonstram que a atividade física e desportiva contribui, de modo muito positivo, para o desenvolvimento das crianças portadoras de PHDA, atuando como um estímulo ao desenvolvimento psicossocial da criança.

Os desportos mais indicados para contrariar o problema

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), no Brasil, mostrou que a realização de atividades físicas intensas pode melhorar o nível de concentração, sendo os desportos mais indicados o futebol, as artes marciais e outras atividades coletivas. Este artigo centra-se nestas duas áreas, a perturbação de hiperatividade e défice de atenção e a sua relação com a atividade física e desportiva. «Hiper» vem do grego e significa «além» ou «excesso». «Atividade» deriva de um radical latino que exprime tanto a ideia de movimento como a de ação exterior. Pôr em movimento ou ser ativo.

«Hiperativo» significa, portanto, impulso excessivo de atividade, como também o caracterizaram C. Schweizer e J. Prekop, em 1997. De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria, a PHDA caracteriza-se por um «padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade, hiperatividade, com uma intensidade que é mais frequente e grave que o observado habitualmente nos sujeitos com um nível semelhante de desenvolvimento».

Uma criança com PHDA manifesta, na sua atividade diária, padrões comportamentais em que a atividade motora é muito acentuada e inadequada ou excessiva. São crianças que têm muita dificuldade em permanecer no seu lugar, que se mexem ou baloiçam continuamente, que mantêm um relacionamento difícil com os colegas, intrometendo-se nas suas brincadeiras, que não prestam atenção, que se precipitam nas respostas. Estas ações são muitas vezes confundidas com maus comportamentos ou com indisciplina.

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