A privação de sono está a afetar a vida de milhares de crianças

Os estudos, quase todos alarmantes, sucedem-se. Para não prejudicar o desenvolvimento dos seus filhos, implemente estratégias que permitam que as noites em sua casa passem a ser de puro descanso

Uma nova investigação da Islândia, tornada publica no início de agosto de 2016, vem alertar para o facto das crianças europeias estarem a dormir cada vez menos. Estudos do National Center on Sleep Disorders Research (NCSDR) revelam também que crianças privadas de sono estão mais sujeitas a ter acidentes, são mais fracas e apresentam baixo rendimento escolar. Muitas delas parecem hiperativas, podendo transformar-se em adultos obesos e com problemas respiratórios e coronários.

Investigações paralelas, levadas a cabo em Itália, corroboram a mesma ideia. Aquelas que entre os três e os cinco anos, durmam menos de dez horas por dia, têm mais 86 por cento de probabilidades de sofrer acidentes. Por isso, mentalize-se que pôr o seu filho a dormir a tempo e horas é tão bom para si como fundamental para o desenvolvimento dele. Entretanto, a associação American Academy of Sleep Medicine também está atenta.

Nos primeiros meses de 2016, este organismo reviu em alta o número de horas que os mais pequenos devem dormir para garantir um desenvolvimento saudável, como pode ver aqui. Em julho, um grupo de especialistas do Murdoch Children's Research Institute, afeto ao Royal Children’s Hospital, em Melbourne, na Austrália, identificou, numa amostra de 4.460 crianças entre os 6 e os 7 anos, cerca de 22,6% dormem regularmente mal.

Estágios do sono

Cerca de um terço da nossa vida é passada a dormir. E não é por sermos preguiçosos. Sem dormir não somos capazes de retemperar forças ou de criar resistências para o dia a dia. Neste ponto, os bebés não são excepção. A diferença é que os adultos podem adormecer de repente, ao passo que os mais pequenos, para atingirem o sono profundo, demoram um pouco mais.

A criança passa por duas fases distinta de sono, o não-REM (profundo, em que respira calmamente sem mexer os olhos) e o REM (agitado e superficial, em que a respiração é irregular e o coração fica acelerado). Assim se explica que você já tenha acordado sobressaltado com episódios noturnos do seu filho que não consegue explicar (movimentos, terror noturno, pesadelos, sonambulismo), mas que é natural que aconteçam.

Horas de sonho

Mas afinal quanto tempo deve a criança dormir? Tenha a noção de que o seu filho tem necessidades próprias, embora existam padrões de sono para cada idade. Até os dois meses, o bebé dorme ao longo das 24 horas do dia, por períodos entre os 30 minutos e as três horas, acordando frequentemente durante a noite. A partir desta idade começa a existir um ritmo regular de sono e a criança vai acordando mais durante o dia.

Com meio ano, já dorme 11 horas à noite, por períodos mais longos. Após o primeiro aniversário, repousa um total de 14 horas e meia, bastando-lhe uma ou duas sonecas, num total de duas horas. Seis meses depois, é normal que não sinta necessidade de dormir de manhã. As sestas são dispensáveis, entre os dois anos e meio e os cinco anos. Segundo o estudo da NCSDR, crianças entre os sete e os onze anos devem dormir pelo menos nove horas.

Veja na página seguinte: Os (maus) hábitos que deve evitar

Comentários