Primeiros 1000 dias: impactos da nutrição na saúde futura do seu bebé

Vamos falar de nutrição e da sua importância durante os primeiros 1000 dias de vida. Estes primeiros 1000 dias são justamente os primeiros 3 anos de vida do bebé, contando a partir da conceção até ao final dos 2 primeiros anos de idade. Um texto da nutricionista Helena Canário.

Quando planeamos construir uma casa nunca começamos pelo telhado. A primeira tarefa, além de um bom planeamento, é criar bons alicerces para que estes possam ativamente sustentar a casa, face às mais diversas intempéries. Quanto mais resistentes e profundos forem estes pilares, mais forte será a construção final que se pretende alcançar.

Ao transpormos este exemplo para a nutrição e a importância que a mesma tem nos primeiros 1000 dias de vida, percebe-se que os seus efeitos impactarão a curto mas, também a médio longo prazo a saúde do bebé, programando assim o seu desenvolvimento imunitário, metabólico e microbiológico.

De facto, os efeitos da nutrição são mais abrangentes do que simplesmente um efeito sobre o risco de obesidade. A alimentação dos lactentes influencia o seu crescimento e desenvolvimento, mas também a incidência de doenças respiratórias, gastrintestinais e alérgicas, tanto na primeira infância, como na juventude e na idade adulta.

De modo geral, uma nutrição adequada é resultante de um equilíbrio entre a energia ingerida versus a energia gasta nas nossas atividades. No caso do bebé, esta questão contabilística da energia não se coloca da mesma forma como num adulto. O balanço energético para um bebé, ou criança de pouca idade, tem de ser positivo (consumir mais energia do que a que gasta na atividade diária) de modo a garantir a energia e os nutrientes necessários à formação de novos tecidos e consequentemente garantir um crescimento saudável.

Podemos afirmar de facto que, o aleitamento materno em exclusivo é um objetivo desejável neste início de vida com benefícios inigualáveis para todo o bebé. No entanto, tal como não construímos uma casa apenas com tijolos, ou com cimento, também nem só de leite vive o bebé. A partir de um dado momento o leite materno só por si não consegue fazer face às elevadas necessidades energéticas deste intensivo período de crescimento. Este momento não é rígido para todos os bebés, sendo consensual pelas diversas entidades científicas que aconteça normalmente entre o final do 4º e o 6º mês de idade.

Mas por que diversificamos a alimentação do bebé? Se não a diversificássemos, e pretendêssemos satisfazer as suas elevadas necessidades energéticas só com leite, seria necessário tal volume de leite que seria incomportável para a sua pequena barriguinha. A capacidade gástrica de um bebé nada tem a ver com a capacidade de um adulto. No inicio da vida, e diríamos que durante o primeiro ano de idade o bebés necessita acima de tudo de pequenos volumes com elevada densidade nutricional. Os bebés não são mini-adultos!

Primeiros 1000 dias: impactos na saúde futura do seu bebé

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