Novos alimentos: Como prevenir alergias e intolerâncias

Não deixe para amanhã o que o bebé pode comer já. Mas proteja-o contra alergias e intolerâncias alimentares.

O pediatra Hugo Rodrigues

créditos: João Pedro Marnoto

A introdução de novos alimentos é um marco no desenvolvimento das crianças. É fundamental os bebés habituarem-se a aceitar sabores, cores e texturas, mas é também importante saber como prevenir possíveis alergias e intolerâncias alimentares.

Alergias

Tem-se verificado um aumento de casos de alergias e, por isso, as recomendações para a introdução dos diferentes alimentos têm mudado. Até há poucos anos acreditava-se que os alimentos mais alergénicos deveriam ser introduzidos lenta e tardiamente na alimentação dos bebés. Houve, inclusivamente, recomendações da Academia Americana de Pediatria que falavam em introduzir o peixe e o ovo aos dois anos, e os frutos secos aos cinco.

Verificou-se que a introdução tardia dos alimentos provocava uma reacção no organismo que os reconhecia como estranhos, reagindo contra eles. Estudos mais recentes demonstram que a introdução precoce dos alimentos induz uma tolerância no organismo que previne as próprias alergias. Com base nessas conclusões, as recomendações de Janeiro deste ano da Sociedade Europeia de Nutrição Pediátrica (SENP) são claras: deve-se introduzir precocemente todos os alimentos, mesmo os mais alergénicos. A introdução deve ser cuidadosa e supervisionada, mas não atrasada.

Doença celíaca

A doença celíaca é uma intolerância ao glúten, proteína existente em alguns cereais, como o trigo, centeio, cevada. Também nestes casos a prática aconselhada era a introdução do glúten por volta dos seis meses. A SENP defende que o glúten pode ser introduzido entre os 4-12 meses de idade, em pequena quantidade nas primeiras semanas, dando tempo ao organismo para se habituar progressivamente de modo a ser menos provável surgir uma intolerância.

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