Jéssica Augusto quis ser enfermeira

A desportista, que se estreou na maratona com a segunda melhor marca portuguesa de sempre em Londres em 2011, ainda tentou conciliar a enfermagem com o atletismo mas não conseguiu

Jéssica Augusto é o retrato da persistência. O atletismo corre-lhe nas veias. Nasceu em Paris em 1981, mudou-se para Portugal com seis anos e uma década depois, aos 16, começou a correr. Depois de passar por todas as disciplinas do atletismo, em 2011 estreou-se na maratona, com a segunda melhor marca portuguesa de sempre em Londres.

Em 2012, ficou em sétimo na maratona olímpica e, em 2013, em terceiro na Maratona de Yokohama. «Desde muito cedo tive de aprender a ter disciplina, a estar entregue ao treino. Lido bem com isso porque assumi que correr é a minha profissão. Em 2005, tentei conciliar o curso de enfermagem com o atletismo», refere.

«Acabei por não ter os resultados que desejava e tive de optar. Custou-me muito, mas o desporto é uma passagem», considera. «Daqui a dois ou a seis anos, se calhar, já não estou a correr e posso retomar os estudos», acrescenta ainda.

Quando falámos com a atleta, estava em estágio em Praia de Mira (Coimbra), a preparar a participação na Maratona do Campeonato da Europa, que se realizou a 17 de agosto de 2014 em Zurique e na qual cortou a meta em terceiro lugar. «Gosto da sensação de correr, sinto-me liberta e todos os dias acordo com vontade de treinar e melhorar», sublinha.

A disciplina é um dos predicados de que não abdica. «Há regras que nos impomos porque, se não formos responsáveis, estamos a enganar o treinador e a prejudicar-nos», afirma Jéssica Augusto. «Faço questão de dormir, pelo menos, oito horas. Deito-me por volta das dez e meia ou onze», revela ainda.

Tal como muitas mulheres da sua idade, também gosta de se divertir. Mas sempre com conta, peso e medida. «Às vezes, posso beber um copo com os amigos, desde que não exagere e saiba que, no dia seguinte, tenho compromissos comigo e com o treinador. Motivo-me pensando que, se não treinar, os meus adversários ficam em vantagem e imaginando como quero correr, vendo provas no YouTube», refere.

As palavras que marcaram a vida da maratonista

Para descontrair, gosta de ouvir música no seu leitor de mp3 e mudar o local de treino ou treinar com colegas também ajuda. Ir mais longe é sempre o objetivo. «Quando um treinador me disse que era possível igualar os feitos da Fernanda Ribeiro, foram palavras muito importantes», recorda.

Para se preparar, divide habitualmente uma maratona em duas etapas. «Na primeira, controlo o ritmo, mantenho-me focada e não me deixo levar pelas emoções. Na segunda, traço objetivos a cada dez quilómetros e, se estiver confortável, tento aumentar o ritmo e gerir o esforço para chegar ao fim», desabafa.

A força que as pessoas que assistem lhe transmitem é fundamental. «Vou-me agarrando ao que os apoiantes dizem e aos cartazes. Nessas alturas, penso que é natural sentir-me cansada e que os outros também estão. Por isso, não posso baixar os braços. Correr com um problema externo é meio caminho andado para a desistência. Temos de desligar o chip», realça.

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