Susana Albuquerque

A autora do livro "Independência Financeira para Mulheres" desfaz mitos relacionados com o investimento no feminino

O que a motivou a escrever este livro?

A minha motivação foi perceber que as mulheres se consideram em geral más gestoras do seu dinheiro e sentem, em geral, que têm menos recursos do que os homens para terem uma relação de controlo efectivo do seu dinheiro, embora na realidade sejam tão boas gestoras quanto os homens e a única coisa necessária é reconhecerem a quantidade de recursos internos e externos de que já dispõem para essa boa gestão.

Qual a sua opinião sobre a forma como as mulheres gerem as suas finanças? Pontos fortes e fracos..

Em geral as mulheres são cuidadosas na gestão do seu dinheiro e fazem um orçamento mensal que respeitam, mas em minha opinião, ainda não poupam com a regularidade desejável, mensalmente, e no meu livro a forma de o conseguirem fazer com sucesso é-lhes indicada.

Considera que as portuguesas têm uma atitude sui generis face às suas contas?

Não, a sua atitude é semelhante à do resto das mulheres do Mundo: encaram-nas como compromissos a serem honrados.

No seu livro aconselha uma taxa de poupança na ordem dos 10%. Porquê esta percentagem?

Porque de acordo com a lei da elasticidade da oferta e da procura, nós toleramos com facilidade uma diminuição ou aumento dos nossos rendimentos até 10% dos mesmos, sem que isso afecte o nosso nível de vida, ou seja se e vivo com mil euros por mês, poderei poupar até € 100 à cabeça, sem que isso afecte o meu estilo de vida actual.

A mulher, por natureza, é mais intuitiva. Isso é bom na gestão das suas finanças ou nesta área é melhor sermos racionais a cem por cento?

O ideal para uma boa gestão financeira é combinarmos razão e intuição, aliás eu refiro no meu livro que considero a intuição a 11ª competência do dinheiro.

Como é que avalia o espírito empreendedor no feminino?

Em geral as mulheres são criativas e empreendedoras por natureza, mas por vezes poderá faltar informação sobre como criar a estrutura necessária ao melhor desenvolvimento e sucesso dos projectos que querem concretizar, e uma das coisas que explico no meu livro é precisamente de que forma pode ser criada essa estrutura.

Aconselharia a abertura de negócios numa altura em que tanto se fala de crise?

Por definição, os momentos de crise são sempre épocas de oportunidades, por isso, o que diria é que não tenham medo da crise, a única coisa com que se deverão preocupar é em assegurar a estrutura, visão e propósito do projecto que querem iniciar.

A Susana assume-se como uma coach de finanças pessoais? O que significa concretamente o termo?

Um coach é alguém que treina para o sucesso ajudando o seu cliente a definir com clareza os seus objectivos, a reconhecer os recursos de que dispõe para os concretizar e a traçar um plano de acção para os atingir. O que eu faço é exactamente isso na área das finanças pessoais.

Tem experiências engraçadas decorrentes da sua participação na televisão na rubrica "Contas em Dia" da SIC Mulher?

Sim, às vezes sou abordada nos locais mais estranhos por mulheres (e homens) que costumam ver a rubrica para me dizerem que gostam muito e que os conselhos que lhes dou os ajudaram. Recordo-me de uma vez na Praia de Carcavelos, em que eu estava a gerir uma birra do meu filho que não se queria vir embora da Praia e uma espectadora interrompeu a cena para me dizer que gostava muito do meu trabalho!

"Independência Financeira para Mulheres" é o primeiro de outros projectos que tem na manga?

Sim, espero que sim!

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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