«Os homens compram as minhas peças mas não as compreendem»

Vende fatos de banho, perfumes e produtos de cosmética o ano inteiro. Em Portugal há menos de um ano, Panos Papadopoulos já exporta para 36 países, como revela em entrevista exclusiva.

Panos Papadopoulos, o criador da marca sueca de fatos de banho, perfumes e produtos de cosmética Panos Emporio, etiqueta que fez 30 anos em 2016, é um empreendedor nato e um homem de olho aberto. Depois de passar horas a analisar o comportamento de celebridades como os jogadores de futebol Cristiano Ronaldo e Zlatan Ibrahimovic, desenvolveu Meander, um modelo de calções masculinos que se está a tornar icónico.

Em meados de 2017, esteve em Portugal para assinalar o arranque da comercialização dos seus produtos em território nacional. Em entrevista ao Modern Life/SAPO Lifestyle, fala do que o inspira, explica o que o motiva e faz revelações sobre o negócio que já se estende a 36 países. «As redes sociais têm-nos ajudado imenso», confidencia o homem que detém os direitos de exploração do concurso Miss Suécia.

O que o levou a procurar revolucionar o mercado dos calções de banho masculinos?

Há 15 ou 20 anos, os calções de banho de homem deixaram de ser muito curtos e justos. Tornaram-se mais compridos e mais largos, adotando um estilo americano. Nos últimos 10 anos, tornaram-se novamente mais curtos, mas permaneceram largos. Em muitos casos, assentam muito mal. Ficam horríveis!

Quando nos sentamos, parece que enfolam. Também me apercebi com o tempo que, se formos muito ativos na praia, esse tipo de calções podem magoar-nos as virilhas. Quando têm cuecas dentro, como normalmente sucede com a maioria, incomodam-nos. Muita gente acaba por os enrolar nas pernas e por os puxar para cima. Até eu o faço…

E, vai daí, o que decidiu fazer?

Pensei que tinha de encontrar uma solução para isto! E, enquanto a estava a tentar encontrar, vi que muitos jogadores de futebol, muitas celebridades e estilistas, figuras públicas como o [Zlatan] Ibrahimovic, o [Lionel] Messi e até o Cristiano Ronaldo, o faziam. E até também crianças pequenas…

Viu aí então uma nova oportunidade de negócio?

Sim, é algo que precisamos. É uma verdadeira necessidade! Eu comecei a pensar em criar algo nesta linha há cerca de cinco anos. Começámos em 2012. A ideia é muito simples e o resultado que conseguimos hoje é muito confortável. Temos uma cueca de um lado, que permite que tudo fique no sítio.

Eu posso ser muito ativo. Basta abrir o fecho quando me quero mexer e fechá-lo se me quiser deitar na areia. Alguns homens têm as pernas mais magras, outros têm-nas mais grossas. O fecho permite ajustar o modelo. São coisas práticas como esta que tornam a nossa vida muito mais simples.

Uma das coisas mais difíceis com que nos confrontamos quando fazemos o design de peças para homem é que é fundamental manter o equilíbrio para que as pessoas gostem e, simultaneamente, compreendam o produto, o que nem sempre sucede.

«Os homens compram as minhas peças mas não as compreendem»

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