Olga Roriz explica viragem artística

As influências que marcam os ímpetos criadores da coreógrafa nos dias que correm

Antes de querer ser bailarina, já sabia que iria ser coreógrafa, pois o lado criativo da coreografia sempre a aliciou. Nos dias 12 e 13 de julho de 2014, a sua companhia regressou aos palcos para estrear a peça Terra, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

A terra-mãe e a relação ancestral entre esta e o homem foi o ponto de partida de Olga Roriz para a construção da sua próxima coreografia.

«Quis mostrar a relação primária do corpo com a terra, as relações sensoriais entre ambos e até o lado sensual e sexual», refere. A peça que apresentou «é uma peça muito coreografada e pouco representada, contrariamente à maioria dos meus trabalhos. A teatralidade sente-se pelo impacto da coreografia apenas», descreve. Há uma certa rutura com o que tem feito até agora. «Pelo menos, na minha companhia», diz.

O chão do palco do CCB esteve coberto de terra e Olga Roriz inspirou-se «nos arquétipos da dança, no mimetismo do movimento das plantas, das árvores». A natureza está muito presente em toda a encenação. «É algo que não é muito natural em mim», confessa, mas que faz todo o sentido quando pensa em dois dos seus bailarinos, Bruno Alves e Marta Lobato Faria. Esta é, ainda, uma peça de grupo, como a descreve.

«Somos seres individuais mas precisamos sempre dos outros e da energia do grupo para continuar e isso vai sentir-se. Quanto à música, também está muito ligada à terra e até se vai pode ouvir uma que chega do espaço. «Um som da NASA», acrescenta. Quando está a criar, Olga Roriz influencia-se a ela própria. «A forma como penso, como estou em determinado momento dita o que vou fazer, mas uma viagem também me pode influenciar tal como os bailarinos com quem estou a trabalhar em certas alturas», diz.

«O método de trabalho também é muito próprio, penso no que quero fazer e pesquiso, mas também peço aos bailarinos que investiguem e desafio-os a fazerem cenas. Depois, isolo-me e organizo- as e encontro um fio condutor entre todas», desabafa. Esse seu lado de criativa vem desde criança, como nos conta. «Aos 4 anos, perguntei à minha mãe quem fazia a dança e ela respondeu-me que eram os coreógrafos, nesse momento, disse-lhe que era isso que ia ser», recorda.

Não se enganou. E até um professor de um curso de verão, dez anos depois, lhe vaticinou o futuro, quando lhe deu um livro e lhe escreveu uma dedicatória «Para a pequenina Olga que irá ser uma coreógrafa», revela. Em 2015, a Companhia Olga Roriz faz 20 anos e vai comemorá-los com a reposição de várias peças em Lisboa e no Porto. As datas para as apresentações serão divulgadas em momento próprio.

Texto: Rita Caetano

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