"Lidar com a morte tão cedo relativiza muita coisa"

Aos 13 anos perdeu o pai e, desde então, ficou ainda mais próxima da mãe, como "unha e carne". Hoje, Iva Domingues tenta dar os melhores conselhos à filha, baseados nas experiências e lições que teve ao longo da vida.

Apesar dos imprevistos e das surpresas - boas ou más -, Iva Domingues contou sempre com o apoio incondicional da mãe, que acabou por fazer também o papel de pai.

Ao Fama ao Minuto, a apresentadora recordou que não teve tempo de se despedir do progenitor, que partiu cedo, quando ainda tinha 13 anos. Atualmente, as mulheres da família são quem comanda e, tal como aprendeu com a mãe, Iva prepara-se para enfrentar um mundo desconhecido, apenas para poder ver a filha seguir o seu sonho.

A Iva mostra ser uma mãe muito presente e faz questão de acompanhar os sonhos da filha. Qual é para si o significado de ser mãe?

É tudo. É conhecer o amor maior, a soma de todos os medos. Perceber que desde aquele momento se é um bocadinho eterna, há um bocadinho de nós noutra pessoa, é perceber o milagre da vida... Ser engolida por um amor que é muito maior do que tudo.

Tento educar a minha filha na base do respeito, primeiro por ela e depois pelos outros

Que tipo de educação que tem dado à sua filha. Quais os principais conselhos?

Tento educar a minha filha na base do respeito, primeiro por ela e depois pelos outros. Na tolerância pela diferença e na aceitação dessa diferença, e no entender que isso só a enriquece. Na liberdade, o nosso bem maior para se fazer o que se ama, o que se gosta, que se sonha, sem nunca questionar a liberdade do outro.

Os conselhos que lhe dá refletem-se no que ouviu dos seus pais e nas experiências que vivenciou?

Claro. Nós somos fruto da nossa educação. É a mulher e as suas circuntâncias. Aqui também. Eu fui educada nesse respeito, nessa tolerância, nessa liberdade, e acredito profundamente nesses valores essenciais e no amor pelo próximo.

As pessoas acham sempre que nunca vão morrer, por isso é que nunca morrem nos sonhosTer de lidar com a morte desde cedo muda a forma de encarar a vida?

Absolutamente. A partir desse momento conhece-se a finitude, sabe-se o que é. As pessoas acham sempre que nunca vão morrer, por isso é que nunca morrem nos sonhos. Há ali um mecanismo de defesa. Mas, de facto, lidar com a morte tão cedo relativiza muita coisa. Não dou importânica a coisas que não têm importância. Revejo, sei bem as minhas prioridades. Nunca deixo para amanhã, mesmo, o que quero dizer hoje. Fazer e sobretudo dizer. Aproveita-se mais os momentos de felicidade. Queixamo-nos menos e agradecemos mais o facto dos que nós amamos estarem bem, de estar toda a gente com saúde. Acordar e perceber que hoje é um dia bom. Isso fica presente para o resto da vida.

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