José Carlos Malato: «Eu era um poço sem fundo»

O apresentador de televisão explicou, em entrevista à Revista Saúda, como o enfarte acabou por mudar a sua vida para melhor.

José Carlos Malato

Revista Saúda – Fez agora 53 anos. Qual é a sensação e como comemorou?

José Carlos Malato – Normalmente não comemoro. Tive uma vivência religiosa que não me permitiu festejar o aniversário durante muitos anos e isso fi cou. Habitualmente, faço um jantarzinho, mas não dou muita importância. É um dia como outro qualquer.

RS – A verdade é que está mais elegante e parece mais jovem.
JCM – Acho que estou com a idade correspondente. (risos) Fiz um bypass gástrico por indicação médica, tenho uma vida mais regrada. Talvez isso resulte em melhor aspecto e ainda bem! Sinto-me bem e isso é que importa.

RS – Quantos quilos emagreceu?
JCM – Tinha 140 quilos e agora tenho 98, portanto emagreci 42 quilos. Foi obra!

RS – Teve de renovar o guarda-roupa, imagino…
JCM – Todo! É engraçado, tenho uma série de roupa enorme e as fotografias… É curioso, lembro-me de algumas situações, mas tenho uma memória muito selectiva desse tempo. A percepção do corpo é realmente um mistério. Sinto-me bastante o mesmo, apesar de me ver tão diferente.

RS – Às vezes, é preciso apanhar um susto para sermos mais saudáveis?
JCM – Não deveria ser assim, mas nunca consegui ter uma vida muito regrada. Sempre tive vários empregos, sou de uma geração que experimentou tudo, as drogas, as aventuras, as festas… Tudo o que era pioneiro, eu estava lá! (risos). Vivi tudo a 150%, era daqueles que nunca queria ir para casa. Era um poço sem fundo. O enfarte obrigou-me a parar e a repensar a minha vida. Obrigou-me mesmo, pois não era uma coisa que eu, sequer, quisesse muito. Mas tomei aquilo como um aviso sério. Aprendi a lição!

RS – Sente saudades da vida boémia?
JCM – Não. Foi um processo natural. Mudei de cabeça, também. Deixei determinados excessos. Hoje em dia deito-me cedo, se vou sair volto para casa mais cedo, tenho outro tipo de responsabilidades. Não se pode ser eternamente jovem e tenho 53 anos! (risos) Tinha de haver uma altura em que as coisas acalmavam.

RS – Há alguma coisa que tenha deixado de comer ou de fazer e de que sinta falta?
JCM – Não! Faço tudo, mas em doses controladas. Como de tudo, tenho uma vida calma, dentro do que é possível nesta profissão. Não tenho grandes nostalgias. É que eu fi z muito de tudo. Não deixei, que me lembre, nada por fazer.

RS – E toma medicamentos?
JCM – Tomo muitos! (risos) Tomo um anticoagulante, um hipotensor, um comprimido para o colesterol, um protector gástrico, um antidepressivo… Contas feitas, tomo cinco de manhã e quatro à noite. Mas isso eu gosto! Gosto de tomar comprimidos!

RS – Isso para um hipocondríaco…
JCM – Deixei de ser.

RS – Não me diga!
JCM – É verdade! As pessoas têm muito medo da morte, mas quando se está perante ela não é assim tão horrível.

RS – Depois do enfarte fez um bypass gástrico. Foi difícil tomar a decisão?
JCM – Com o enfarte, tive a indicação da cardiologista para fazer um bypass gástrico, porque já estava perto de ter diabetes e tinha aquilo a que os médicos chamam um mal-estar geral. Apesar de não parecer, eu estava mesmo mal, até psicologicamente. No início, fiquei renitente com a cirurgia, li muitas coisas e vi vídeos no YouTube. Mas foi uma boa experiência e está a ser, sobretudo, uma boa vida.

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