Entrevista a Sónia Araújo

A apresentadora fala sobre o seu novo DVD infantil, mas também sobre os desafios da mulher, a crise que o país atravessa e os seus projetos

 Uma beleza indiscutível e um modo de conversar que atrai os portugueses. Sónia Araújo habituou-nos a aparecer todas as manhãs no nosso ecrã durante quase duas décadas. Hoje tem novos projetos, entre os quais um DVD infantil e um novo programa de televisão. A mulher, a mãe, a profissional em discurso direto para o Sapo Mulher. A Sónia está a braços com um novo projeto.

Como é que este desafio, o DVD ‘Sónia e as Profissões’, entra assim de rompante na sua vida?

Bem, o desafio foi lançado pelo produtor musical do projeto, o Serafim Borges que pensou em mim para ser a cara das profissões. Aceitei fazer uma experiência, ele achou que eu me encaixava muito bem, eu própria senti-me bem e arrancámos…

 Estamos a falar de quando….?

Tudo aconteceu de facto muito rápido. Estamos a falar do verão passado, entre julho e agosto. Na verdade sinto-me em muito boas mãos. Estou muito contente por a Universal ter apostado neste projeto e pela associação do canal Panda na divulgação do DVD. Resta-me esperar que a pequenada goste.

E o que se pretende, de facto, da pequenada …?

Bom, em primeiro lugar levar-lhes alegria pois as crianças devem viver em ambientes saudáveis e felizes. Eu própria voltei a ser criança com eles. Se através da música conseguirmos incutir-lhes ensinamentos, então melhor. Através das brincadeira mostrar que as profissões são todas importantes, dar-lhes ideias para o futuro, explicar cada uma delas e até passar mensagens boas, de solidariedade com o do bombeiro, de vida saudável com a do padeiro, através do futebolista explicar o sentido de se ter um bom fair-play…no fundo conseguimos retirar mensagens de todos os temas e estamos a brincar ao mesmo tempo.

 E o facto de ser mãe facilitou a tarefa?

Sim, porque conheço a realidade infantil. Sei que todos os miúdos gostam de cantar, dançar e imitar o que se faz em televisão. Queremos que se divirtam connosco.

 E os seus três pequenos…divertem-se?

É uma excitação cada vez que veem a mãe a cantar. Agora pedem-me para cantar em casa, dantes só me pediam para contar histórias. Este desafio surgiu em boa hora, após a sua saída da Praça da Alegria? É engraçado porque estão a acontecer-me coisas novas e diferentes, desde o Praça. Foi uma grande reviravolta na minha vida. O fim de um diário de 17 anos não é fácil! Muitas emoções, muitas relações de amizade… que perduram na minha memoria e na minha experiência, mas estava na hora de seguir em frente.

 

"Foi uma grande reviravolta na minha vida. O fim de um diário de 17 anos não é fácil! Muitas emoções, muitas relações de amizade… que perduram na minha memoria e na minha experiência, mas estava na hora de seguir em frente"

E como é que esta a correr o novo projeto televisivo?

Está a correr bem. A dupla mantém-se e estamos à procura do nosso espaço. O feedback do público tem sido positivo. Sente falta da rotina matinal, afinal agora é um programa semanal… Sim, sinto falta daquele frenesim diário, mas não deixo de acordar cedo na mesma por causa dos miúdos e durante a semana tenho muitas reportagens para gerir, continuo a ir ao ginásio…

Mas nota uma mudança na sua vida?

Fica com mais tempo para os seus filhos? Noto uma mudança, sim, mas já estou a ajustar-me a ela. Quanto a tempo para os filhos, já dantes fazia questão de ter. E conseguia tê-lo na prática? Sim, porque tinha as manhãs muito preenchidas, mas as tardes mais ou menos livres e podia trabalhar a partir de casa.

Com uma experiência tão vasta em televisão, tem sonhos escondidos por concretizar no pequeno ecrã?

Não penso em realizar sonhos neste momento. Tenho ideias e gosto de as partilhar nos projetos onde estou. É o que estou a fazer neste momento.

Dirigir um canal feminino seria uma porta aberta?

Claro, claro que sim. Nunca pensei muito nisso, mas seria um grande desafio.

Como é que vê a mulher portuguesa?

A mulher portuguesa é uma heroína. Tem de se desdobrar em diversas funções e tudo o que nos é exigido tem de ser feito na perfeição. Todos os dias somos postas à prova e nada pode ficar descurado. Por vezes as 24 horas não chegam e, no fim do dia, já esta a pensar o que vai vestir no dia seguinte, o que vai por nas lancheiras, o que vai dizer na reunião com os chefes…enfim, uma luta.

 E isso vai mudar algum dia?

(Risos) Sinceramente, acho que não. O que tem vindo a mudar é a intervenção da mulher na vida profissional ativa. Mas mesmo nesta área, ainda há muito por fazer pela igualdade, por exemplo, a nível salarial.

 Mas na televisão, essa diferença também existe?

Sim, existe, claro que sim! Infelizmente vivemos num mundo ainda muito machista. O que acontece é que a própria mulher vai fazendo concessões, como gravidezes mais tardias, com tudo o que isso implica para o seu próprio corpo. As gravidezes passam a ser de risco, a possibilidade de ser gemelar aumenta….

 A própria Sónia é mãe de gémeos…

Sim e sou completamente realizada por ser mãe de três filhos e orgulho-me da família que estou a construir, pois estamos em constante progresso. Mas eu tenho uma grande retaguarda. E as mulheres que não a têm como fazem?

 Quando fala em retaguarda, fala nessa grande instituição que se chama Avós …

Sim, claro. Mas muitos não a têm e não é fácil pagar casa, infantário, horas extraordinárias para amas…. O país está a viver um período de crise muito grande. Como vê esta realidade? Estamos todos muito deprimidos e revolta-me pensar que a única solução que as pessoas têm é suicidarem-se. Temos de agir rapidamente e dar a volta. Como é que se pode bater tão fundo? Temos de estar atentos, por todos os psicólogos no terreno e ajudar quem está a sofrer. Não podemos dormir descansados enquanto houver alguém que pensa em acabar com a sua vida e a dos seus filhos.

 

Sónia tem 42 anos, mas não parece. Os 40 são, de facto, os novos 30?

Quando eu tinha 20 anos, achava que aos 40 já estaria muito mais velha. Tenho cuidados, mas também tenho a genética a ajudar, porque na minha família ninguém aparenta a idade que tem. Não sou escrava da beleza. Não sou dondoca, mas gosto de me cuidar. Mantenho a forma, vou ao ginásio duas vezes por semana, e gosto de me alimentar bem.

Não é gulosa, portanto?

Gosto mais de salgados do que de doces. Felizmente não tenho um apetite voraz todos os dias. Dá para compensar, temos de ser inteligentes a comer.

E não há um prato que lhe tire do sério?

Há. Alheiras com gelos salteados e batata cozida, à moda transmontana, de onde a minha mãe é natural. Temos de ter sempre um verde no prato e viver uma vida de equilíbrios, porque a nossa gastronomia é muito boa e difícil de resistir.

E um programa de televisão difícil de resistir…

O da Oprah, claro!Gostava de ter metade dos meios que ela tem, mas gosto na generalidade de programas de variedade com luzes, danças, movimento.

"Não sou escrava da beleza. Não sou dondoca, mas gosto de me cuidar. Mantenho a forma, vou ao ginásio duas vezes por semana, e gosto de me alimentar bem"

E se tivesse a oportunidade de fazer o seu programa no estrangeiro. Iria, à semelhança de tantos talentos que têm emigrado?

A seguir a trabalhar e à minha família, o que mais gosto é de viajar. Mas gosto muito de regressar, saber que tenho para onde voltar, sou muito agarrada às minhas coisas. Emigrar só se fosse por experiência, sempre com a perspetiva de voltar. Adorava conhecer África e Austrália.

Por último, a hora das confissões. Qual o seu tema predileto no DVD?

Não consigo escolher, porque são todos muito bonitos e diferentes. O escritor tem uma letra maravilhosa, o jardineiro é uma balada muito bonita, se formos para os mais cómicos temos o cientista e o polícia…

Gostava que os seus filhos seguissem alguma dessas profissões ou quem sabe seguir as pisadas da mãe na televisão?

Não faço questão que facam televisão, quero que sigam os seus sonhos com os pés bem assentes na terra. Vou orientá-los, mas apenas isso. Qualquer que seja a profissão que escolham, têm é de ser sérios.

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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