Viagem no tempo

Um palácio que já foi uma escola é agora um small luxury boutique hotel revivalista (fotos)

Por fora, tem um aspeto discreto e passa quase despercebido mas, mal se entra no antigo palacete dos condes de Paraty, que mais tarde seria ocupado pela Escola Machado de Castro, é impossível não se deixar transportar para os tempos idos de meninice. Ao lado da receção, um cabide ainda tem pendurados bibes e fardas de crianças de outras épocas, o que acaba por lhe conferir uma originalidade surpreendente. 

Ao lado, num armário de madeira que pertenceu ao estabelecimento de ensino, estão expostos brinquedos de antigamente e um livro de estudo da antiga terceira classe. Mas a viagem pelas memórias não se fica por aqui. Impõe-se ao longo de toda a estadia. Localizado no bairro da Estrela, numa Lisboa antiga que ainda mantém muitas das suas mercearias tradicionais e muitos dos velhos hábitos de outrora, o Hotel da Estrela soube adaptar-se aos dias que correm, sem esquecer o passado.

Decorada por Miguel Câncio Martins, arquiteto de interiores que criou a imagem estética do mítico Buddha Bar de Paris e do Pacha de Marraquexe, esta unidade hoteleira, que se define como um small luxury boutique hotel, conta com apenas 19 habitações (13 quartos e 6 suites). Em comum, têm o facto de terem cabeceiras de cama verde alface, uma cor que muitas vezes se estende aos sofás que decoram algumas das habitações.

Quartos modernos e confortáveis

De linhas direitas, espaçosas, modernas e confortáveis, os quartos chamam a atenção pelos pormenores que os caracterizam. O tapete preto estampado com letras, desenhos, rabiscos e figuras geométricas, uma constante em todos os quartos, foi criado especialmente para o Hotel da Estrela. É uma das suas imagens de marca, tal como os tampos das carteiras, todos escritos e rasurados, que foram transformados em quadros.

Nas paredes, existem ainda mapas como os que as antigas escolas de norte a sul do país exibiam. A decoração, o conforto e a simpatia dos colaboradores, alguns deles estagiários da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, que funciona mesmo ao lado, levou a revista de viagens Condé Naste Traveler a elegê-lo com um dos melhores novos hotéis do mundo em 2011 e os utilizadores do site TripAdvisor a atribuírem-lhe um certificado de excelência em 2012.


Cantina com vista para o jardim

Além de salas para eventos e de uma área social também ela repleta de vestígios de tempos passados, onde funciona um honesty bar, com um livro de registo onde os clientes apontam o que lá consomem, o Hotel da Estrela dispõe ainda de um bar e de um restaurante, o Cantina da Estrela. Num ambiente original, onde não falta um quadro como o das velhas salas de aula, é servida uma cozinha criativa e assumidamente descontraída que surpreende pelos seus paladares.

Não deixe de provar especialidades como o creme de castanhas com azeite de trufas, a perdiz estufada com cebolinhas cogumelos e funcho, o leite creme da Quinta das Lágrimas com gelado de tomilho ou o melhor pão de ló do universo, como chamam ao que lá é servido e que também vendem para fora.

Almofadas anatómicas

O conforto dos hóspedes é uma das preocupações centrais do Hotel da Estrela, que é gerido pela empresa Thema Hotels & Resorts, que resulta da fusão dos grupos Lágrimas Hotels e Alexandre de Almeida e que é proprietária de hotéis como o Quinta das Lágrimas Palace Hotel e o Hotel Astória.

Para dotar as 10 unidades hoteleiras que administra, a companhia estabeleceu uma parceria com a empresa farmacêutica AbbVie e desenvolveu o Projeto Asleep, que conta com o apoio da Associação Nacional de Espondilite Anquilosante (ANEA) e que se traduz na disponibilização de almofadas anatómicas a pessoas que sofram desta doença.

O que há para ver na zona

Este hotel está localizado na Rua Saraiva de Carvalho, 35, em Lisboa. Esta unidade hoteleira disponibiliza quartos duplos em época baixa a partir dos 169 € e suites a partir dos 239 €. Nos arredores, não deixe de visitar a Basílica da Estrela, a Igreja de Santa Isabel, o Jardim da Estrela, a Casa Fernando Pessoa e o bairro de Campo de Ourique, um dos mais típicos e bem preservados da capital portuguesa.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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