O encanto das camélias

É um dos símbolos da aristocracia. A variedade Changii, que em 2010 foi importada da China por um horto de Amarante, floresce no verão

«É difícil explicar como é que uma pessoa que tem pavor de voar, possa fazer milhares e milhares de quilómetros de avião, não por uma mulher nem por uma avultada soma de dinheiro, mas somente por uma flor». Esta expressão é de Franco Ghirardi, um farmacêutico italiano e um grande apaixonado por camélias, mas qualquer outro entusiasta desta flor entende estas palavras na perfeição. Recuando no tempo, o nome camélia surgiu pela primeira vez em 1753, quando o botânico Lineu quis homenagear o jesuíta Georg Kamel, mais conhecido por Camellus, pelo seu enorme contributo botânico.

A história desta planta conta que os primeiros exemplares se encontravam no Japão (motivo pelo qual as conhecemos como japoneiras), na China e também no Vietname. É na China que existe a mais longa tradição do cultivo da camélia que desempenhou um importante papel na sua economia. Da camélia, a madeira é aproveitada para mobiliário, as folhas utilizadas na preparação de chá e o óleo, extraído de algumas espécies, é utilizado em culinária e no fabrico de cosméticos.

Foi da Ásia que chegaram as primeiras camélias a Portugal, trazidas pelos navegadores e mercadores que mantinham relações comerciais com o Japão e a China. Foi de Portugal, mais precisamente do Porto, que mais tarde saíram para outros países da Europa, nomeadamente Inglaterra, que, aproveitando a viagem dos seus barcos, que vinham ao Douro carregar o vinho do Porto, levavam, no seu regresso algumas destas plantas. Desde sempre, a camélia está associada a elegância e aristocracia.

A flor das famílias brasonadas

O seu papel era de tal maneira relevante que era comum ser presenteada entre as famílias brasonadas. Ainda hoje podemos admirar magníficas camélias seculares em praticamente todas as casas senhoriais que são verdadeiros testemunhos vivos de uma época gloriosa e de grande expansão. Bela entre as belas, a camélia é um prodígio da perfeição floral, motivo pela qual a tão prestigiada marca Chanel, elegeu a camélia como a flor da marca. Coco Chanel perdeu-se de amores por esta flor, desde o dia em que lhe foi oferecida pelo seu namorado.

Do passado para a atualidade, e apesar de constantemente surgirem novas tendências, a flor da camélia continua a estar presente nas suas jóias e acessórios, estação após estação. O protagonismo da camélia tem vindo a crescer e cada vez mais surge como a referência principal do jardim. As suas folhas persistentes e luzidias tornam esta planta muito apelativa. Quando o inverno enche a paisagem de branco e ocre, as outras árvores despem-se de folhas e a chuva nos entristece, surge a flor da camélia, numa explosão de cor e de vida.

Estes são alguns dos motivos pelos quais é tão fácil apaixonar-se por estas flores e tornar-se num verdadeiro colecionador. Se gosta da camélia e não se considera um conhecedor profundo desta planta, pode adquirir importantes informações sobre a forma correta de as tratar, num horto especializado. É aqui que também pode encontrar uma grande diversidade de espécies, uma vez que estes hortos se dedicam constantemente a procurar novas variedades. Uma das espécies de camélia mais falada nos últimos anos foi a camélia Changii, que em 2010 foi importada da China pelo Horto Mestre Jardineiro, em Amarante.

Foi esta empresa que a introduziu pela primeira vez na península ibérica. Além das suas exuberantes flores vermelho brilhante, esta espécie tem outra caraterística que fascina os colecionadores. A sua floração acontece durante os meses de verão, altura em que mais nenhuma camélia está a florir. Agora já pode ter o seu jardim florido de camélias durante todo o ano!

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